No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho

0 Comentários // em Medicina UFSCar Vestibular // 7 de março de 2016

 

O famigerado ingresso no curso de medicina de uma universidade pública é apenas o início do caminho que optamos trilhar.A aprovação muitas vezes deixa a sensação de que todos os problemas foram deixados no passado e que a vida, a partir desse instante, é uma constante subida, culminando na felicidade e no sucesso profissional. O que ninguém nos contou, é que cursar medicina não é nada fácil quando queremos conciliar as vidas acadêmica, pessoal e social; ainda mais num curso com metodologia ativa, em que os momentos de estudo não se limitam ao período PERIPROVA. Não nos contaram também, que os problemas que finalmente deixaram de fazer peso em nossas costas, logo retornam infinitamente maiores com a aproximação das provas de residência. Separamos o depoimento de uma aluna recém egressa do primeiro ano e de um aluno recém formado na Medicina UFSCar, para mostrar como se sente um aluno de medicina no início e no fim do curso.

No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho

 

O PRIMEIRO ANO NA MEDICINA UFSCar

Escolher um curso superior e uma universidade são tarefas dificílimas. Assim, eleger a medicina UFSCar como opção no SISU não foi uma tarefa fácil. Após algumas horas dedicadas à pesquisa sobre o curso, sua conceituação frente aos órgãos da saúde e da educação, metodologia empregada no processo ensino-aprendizagem e egressos, coletei resultados promissores. Assim, decidi que “Medicina – Universidade Federal de São Carlos” deveria ser minha primeira opção no SiSU.

Durante as primeiras semanas do curso, nos dedicamos a tentar entender a metodologia e as unidades de aprendizagem. Apesar de ter estudado sobre metodologias ativas e conhecer egressos de outras escolas de medicina que também fazem uso do “PBL”, é inegável que a sensação do “O que estou fazendo aqui?”, “Será que algum dia vou conseguir me adaptar?”, “Foi a escolha certa?” e, principalmente, “Será que serei uma profissional qualificada?” surgiu. Surgiu, voltou, reapareceu. Junto a isso, a dificuldade para entender os limites das unidades de aprendizagem (Situação-Problema, Estação de Simulação, Reflexão da Prática e Prática Profissional) e o que era esperado do corpo discente em cada uma delas.

Entretanto, a recepção e auxílio dos discentes das demais turmas, a paciência e carinho de muitos docentes e a construção das redes de apoio dentro da própria turma foram fatores que permitiram visualizar a situação mais nitidamente e entender que eu não era a única com essas sensações. Participar de espaços que permitem a discussão do nosso próprio curso, entender os prós e contras de sua estrutura e expor as inúmeras dúvidas e angústias foram experiências essenciais para que eu me adaptasse ao processo de ensino-aprendizagem, de forma a me portar e estudar da maneira que fosse capaz de entender e compartilhar o conhecimento, reconhecer minhas fragilidades cognitivas e psicomotoras e elaborar estratégias para superá-las.

E então, paulatinamente, passei a vislumbrar o que os professores tentavam dizer com “Começou a entender a transitoriedade do conhecimento”, em minhas avaliações de desempenho. A transitoriedade do conhecimento não me era novidade alguma, mas na Medicina UFSCar esse conceito ultrapassa a ideia de estudar pelas últimas edições de livros, consultar os artigos publicados mais recentemente e sempre retomar conteúdos.

A compreensão dessa transitoriedade implica em assumirmos uma postura ativa, autônoma e de humildade, de forma que estejamos sempre construindo nosso conhecimento da forma que fizer sentido para cada um de nós. E essa forma muda com o dia, com a unidade educacional, com nosso crescimento e amadurecimento individual e com outros n fatores que, muitas vezes, nem sabemos determinar, mas nos indicam que é hora de mudar, de novo. E assim, vamos estudando e tentando construir o porquê de estudar aquilo, naquele lugar e naquele momento. Muitas vezes não consegui entender o porquê naquela hora, mas depois – estudando alguma outra coisa, vivenciando alguma outra realidade, conversando com alguma outra pessoa – as peças se encaixaram.

E assim é nosso aprendizado no primeiro ano desse curso incrível: quando achamos que estávamos entendendo a metodologia, a unidade, as vivências e ementas… Descobrimos algo muito maior, mais revelador, coerente e encantador. Essa é a transitoriedade de nosso primeiro ano, do nosso conhecimento. Portanto, me sinto extremamente satisfeita em ter escolhido a “Medicina – Universidade Federal de São Carlos” como minha escola! Espero que vocês também possam fazer parte desse curso surpreendente e cativante!

 

Giovana Kharfan de Lima – TX

 

A JORNADA DE UM ACADÊMICO EM UM CURSO MÉDICO DE VANGUARDA (Adaptado)

 

Foi no ano de 2010, após dois longos anos de cursinho que eu, filho de dentistas, fanático por vídeo-games, torcedor tricolor, e um belo de um nerd para os padrões da época, fui aprovado, com muito custo, na sexta chamada da Gloriosa Medicina UFSCar. Época esplendorosa da vida daquele ainda adolescente, já com seus 20 anos. Pensava: “Agora todos os caminhos estão abertos, basta trilhá-los, um mundo de descobertas me aguarda!” E realmente aguardava.

No início tudo eram flores, um Campus colossal, um Hospital promissor e já imponente. Novos colegas todos igualmente geniais e motivados, como eu me sentia na época, pelo menos, era essa minha visão no momento. Um método de ensino revolucionário, porém que já existia desde a década de 1960. As palavras horizontalidade, síntese, aprendizado baseado em problemas, disparadores, facilitação, descritores e metodologia ativa, estavam todas em voga. “Vocês devem aprender a aprender” diziam nossos Docentes. As aulas estavam abolidas e a partir daquele momento, caminhávamos com nossas próprias e tão frágeis pernas.

O primeiro ano foi a grande adaptação. Uma carga horária muito menor que a dos outros anos, prezando justamente por essa adaptação. Nesse ano entendemos o Ciclo Vital e as bases do funcionamento do corpo humano, que associados criam a famigerada visão “Biopsicossocial” do ser humano. Nada havia de mais holístico, diga-se de passagem. Logo no início já fomos alocados no mundo real, em uma Unidade de Saúde de Família, sobre a qual era nos cobrado conhecimento do território e presença na comunidade local, nos tornando desde então agentes na saúde da população, e defensores da qualidade de vida e promoção de saúde. E tudo isso enquanto aprendíamos a arte do simples fato de conversar com pessoas, em ambiente simulado e muito bem protegido, aprendemos a nos portar.

Olhávamos nossos veteranos, muitos já bem versados na terminologia médica, com admiração como se eles fossem desde já heróis. No segundo ano começa o estudo das patologias! Fisiopatologia é a palavra em voga, processos patogênicos e sua repercussão na fisiologia normal. Livros mais complexos e uma carga de matéria consideravelmente maior. Na estação de simulação chega de narrativa! Façamos uma história MÉDICA! Uma hora e meia era pouco e nem tínhamos iniciado o exame físico! Exame Cardiovascular, Pulmonar e Abdominal! O regozijo de palpar o primeiro fígado, que na verdade era alça intestinal. E na prática, já estávamos adaptados à nossa USF! Fazendo parte da Equipe e plenamente territorializados. Os pacientes já nos conheciam e estavam acostumados a nos receber.

Os anos se passam e chega o internato, tivemos preceptores memoráveis em um serviço que mostrou que a Medicina não precisa ser tratada como algo sucateado. Tivemos a oportunidade de ver um coração batendo num tórax aberto. Vimos o milagre da vida humana surgir , mesmo que de maneira em vários momentos conturbada e desorganizada. Na Pediatria, descobrimos que aquelas doenças que são “tudo a mesma coisa” são completamente diferentes. E veio logo em seguida a Clínica Médica, com toda sua imponência, estágio mais puxado de toda a graduação, já éramos quase médicos.

SEXTO ANO! 50 semanas pra acabar! 20 dias pra acabar! 30 minutos pra acabar! Era o começo do fim… No sexto ano tudo parece fazer sentido, aquelas condutas aparentemente mirabolantes no quinto ano passam a se tornar rotineiras. Aqueles mesmos procedimentos do ano anterior, tão surpreendentes, agora parecem velhos conhecidos.

Aquele jovem nerd do primeiro ano, agora é um homem. O último ano parece um lento término de amadurecimento, já que o quinto é aquela metamorfose frenética, em que você encontra-se totalmente mudado, acadêmica, moral e, por que não, espiritualmente após o passar de poucas semanas.

Viver o sexto ano é como ver a mudança de tonalidade da casca de uma velha árvore durante a passagem das estações, tudo se movimenta em volta, porém a casca toma seu tempo, como se estivesse lapidando-se, para proteger um tronco cada vez mais sábio. É um ano de nostalgia, saudades e agradecimento, tanto aos amigos quanto aos mestres. E o conhecimento aumenta desapercebidamente, porém de maneira exponencial. Tanto que começamos a auxiliar os colegas mais novos, nos tornando também proliferadores do conhecimento. E os pacientes, esses começam a nos enxergar como profissionais, aqueles meninos de outrora agora são doutores. Mas não quaisquer doutores, esses novos doutores nos entendem, deve ter sido resultado da educação biopsicossocial do primeiro ano, afinal, esse curso é revolucionário.

E essa é a sensação de quem está no final do sexto ano. Parece que toda uma vida se passou, e você continua um iniciante, continua jovem, continua tolo, porém pelo menos agora, um pouco mais sábio.

 

Jorge Henrique Safady – TV

 

E assim é a vida do aluno em medicina na UFSCar, com altos e baixos, ou melhor, idas e vindas na espiral, por vezes optando pela vida acadêmica, deixando de lado todo o resto, perdendo algumas horas para melhor entender um assunto e ajudar um paciente, sentindo um inocente anseio de conhecer holisticamente o vasto conhecimento médico e um crescimento lento de autonomia, mas com um fim que é tudo aquilo que sonhávamos nas noites mal dormidas antes do vestibular.

Informações de boas-vindas.

0 Comentários // em A Espiral CAMSA Medicina UFSCar Uncategorized // 14 de janeiro de 2016

 

Hoje se encerra o período de inscrições do SiSU, dentro do qual os alunos de todo Brasil podem concorrer às vagas de nossas universidades federais, e, especialmente, às vagas da medicina UFSCar.

O período está aberto desde segunda-feira (11/01/2016) e as inscrições são feitas diretamente no site do MEC. O meio pelo qual os vestibulandos concorrem a essas vagas é a nota obtida no ENEM. No caso do curso de medicina da UFSCar, essa nota é obtida através de uma fórmula que pondera com peso extra (peso 2) as provas de Linguagens, Códigos e suas tecnologias e de Ciências da Natureza e suas tecnologias.

A medicina UFSCar conta com 40 vagas totais. Vinte delas são destinadas ao Grupo 5, de ampla concorrência, e as outras vinte para os Grupos 1, 2, 3 e 4. As notas de corte nos anos de 2015 e 2014 para o Grupo 5 foram respectivamente 783,37 e 780,06 pontos. No SiSU de 2015, a nota de corte do Grupo 1 foi de 737,31 pontos apresentando um aumento de aproximadamente 16 pontos em relação a 2014. O Grupo 2 teve um aumento mais discreto: subiu de 733,61 em 2014 para 739,09 pontos em 2015. Já o Grupo 3 apresentou uma queda na nota de corte. O Grupo 3 caiu de 745,60 para 730,37 pontos de 2014 para 2015. Enfim o corte do Grupo 4 não apresentou grandes variações, sendo de 760,77 pontos em 2014 e 759,59 pontos em 2015. Somente esperando para ter a certeza da aprovação.

A divulgação da lista dos aprovados ocorrerá no dia 18 de janeiro. Aqueles que se contemplarem com seus nomes na lista poderão se matricular na Universidade Federal de São Carlos preferencialmente dia 25/01, quando serão recebidos com nossas alegres, porém pacíficas, boas vindas. Mas a matrícula também pode ser realizada dia 22 ou 26 de janeiro, junto com a matrícula das áreas de exatas e humanas.

Entretanto, caso alguém não veja seu nome na primeira lista não deve desistir e sim declarar interesse na lista de espera entre os dias 18 e 29 de janeiro. Sendo assim o aluno terá mais uma chance para concorrer pelas vagas que não foram ocupadas pelos alunos convocados na primeira chamada. A relação dos alunos de espera será disponibilizada dia quatro de fevereiro. A partir daí o aluno deve acompanhar o calendário para realizar a manifestação presencial do interesse por vaga, verificar a segunda lista de selecionados e realizar a matrícula da segunda chamada. O processo se repete até a quarta chamada e o edital no qual se encontra todas as datas constará no final dessa matéria.
A partir das 23:59 do dia de hoje é só esperar e ter pensamentos positivos em relação à aprovação. Em nome de todos os alunos da “Med UFSCar” desejamos boa sorte para todos que gostariam de um dia fazer parte da nossa medicina. Estamos no aguardo!

E para aqueles que forem aprovados e quiserem se informar sobre o curso, experiências de nossa vida universitária e nosso PBL, fique atento ao site nos próximos dias!
http://www.saci.ufscar.br/data/solicitacao/29573_edital_ufscar_pres_2016.pdf – Edital da UFSCar de vestibular.

SiSU – Informações Gerais sobre a Medicina UFSCar

0 Comentários // em UFSCar Vestibular // 9 de janeiro de 2016

SiSU   Informações Gerais sobre a Medicina UFSCar

O SiSU vem aí e, com ele, algumas dúvidas comuns sobre a inscrição na Medicina UFSCar. Este post pretende responder algumas dessas dúvidas!

Informações Gerais sobre o processo seletivo:

  1. A Medicina UFSCar oferece 40 vagas/ano, com ingresso no 1º semestre, sendo que 50% dessas vagas são reservadas para ações afirmativas (Modalidades 1, 2, 3 e 4).
  2. O número de vagas por modalidade de concorrência e o calendário das chamadas está disponível no Edital de Ingresso da UFSCar 2016http://www.saci.ufscar.br/data/solicitacao/29573_edital_ufscar_pres_2016.pdf
  3. Conforme consta no edital, as notas PESO 2 válidas para o curso de Medicina são as da prova de Linguagem e Ciências da Natureza.
  4. O edital também traz a lista com a DOCUMENTAÇÃO necessária para matricular-se em cada uma das modalidades de ingresso: leia atentamente e já separe os documentos!

Relação de notas dos ingressantes nos últimos anos:

2015: http://www.ingresso.ufscar.br/presencialArquivo/compara_nc_ingressos2015.pdf
2014: http://www.ingresso.ufscar.br/presencialArquivo/compara_nc_ingressos2014.pdf
2013: http://www2.ufscar.br/documentos/22459_ntmd_ingresso2013_ufscar.pdf

Informações sobre auxílios/bolsas da Universidade disponíveis no site da Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários e Estudantis: http://www.proace.ufscar.br/

Venha conversar com a gente! Use nosso grupo Vestibulandos Medicina UFSCar, no Facebook, para interagir com alunos e tirar suas dúvidas quanto ao curso!

Estamos esperando vocês, TXI! AbraSUS!

Clipping: Programa Paciente Simulado durante toda a graduação do curso de Medicina é exclusividade da UFSCar

0 Comentários // em Destaque Medicina Notícias São Carlos UFSCar // 5 de janeiro de 2016

 

Clipping: Programa Paciente Simulado durante toda a graduação do curso de Medicina é exclusividade da UFSCar

“Nunca fiquei doente, nem sequer uma dor de cabeça”, conta Vanir Tirapeli Paranhos, 65 anos, que há dez anos simula o papel de usuária do serviço de saúde para alunos dos cursos de Medicina, Fisioterapia, Enfermagem e Gerontologia da UFSCar.

Vanir, uma das mais antigas atrizes do grupo, é uma das 40 pessoas que participa do Programa de Orientação dos Pacientes Simulados (POPS) da Unidade de Simulação da Prática Profissional e Saúde (USPPS), vinculada ao Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) da UFSCar. A USPPS fornece apoio aos cursos e departamentos envolvidos na formação de recursos humanos na área de saúde (Medicina, Enfermagem, Gerontologia, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Psicologia e Educação Física). A chefe desta Unidade, Andrea Aparecida Contini, professora do Departamento de Medicina (DMed), explica que por meio da simulação, os estudantes podem aprender e refletir a prática da profissão. “A simulação é importante pois possibilita ambientes onde é permitido errar e onde o erro pode ser corrigido, já que são utilizados atores, simuladores e/ou outros recursos pertinentes. Com isso, minimizamos os riscos para os sujeitos envolvidos”, reforça.

O grupo que compõe o Programa se reuniu no último dia 3 de dezembro para confraternizar o fim do ano e mais um ano de trabalho, comemorando resultados positivos das atividades realizadas. Andrea conta que o curso de Medicina da UFSCar é o primeiro do Brasil que possui um programa de simulação durante toda a graduação do aluno, do primeiro ao sexto ano. “Nosso perfil de metodologia ativa permite que o aluno vivencie situações encontradas nos cenários reais da prática profissional num ambiente protegido e, desta forma, proporcione experiências com pacientes padronizados e casos clínicos elaborados de forma fictícia e segura, reproduzindo aspectos da realidade e oferecendo ao aluno reflexões e aquisição de competências esperadas para o período letivo, com participação ativa deste aluno no processo de aprendizagem”.

A professora ressalta que a falta de habilidade de comunicação está associada à má prática e erros médicos. “Cerca de 80% das queixas registradas no Conselho Regional de Medicina são relacionadas à comunicação do profissional da saúde com o usuário. Olhar para o paciente, conversar com ele para saber o que ele tem, entendê-lo, é extremamente importante para um atendimento mais humano e também para se conhecer o real diagnóstico”.

Vidício da Silva Paranhos, 67 anos, marido da Vanir, também participa das atividades desde o início do Programa. Ele já tinha experiência com o teatro, que praticava por hobby. “Fui atraído pela palavra ator. Eu gosto muito pois mantém a memória ativa. O grupo é incrível e, além disso, a gente aprende muito”.

Oscar Lopes Ferreira, de 65 anos, também paciente simulado do Programa desde sua criação, sabe que o contato dos atores com o aluno é rico tanto para eles quanto para os estudantes. “Somos colaboradores, ajudamos na formação mais prática dos alunos, a gente vê a evolução deles, na comunicação e no atendimento. O desembaraço em falar com as pessoas mais velhas, as que mais frequentam as unidades de saúde e hospitais”.

O estudante do terceiro ano de Medicina, João Victor Gonçalves, relata que a metodologia de aprendizagem em simulação é um processo muito importante para a formação dos alunos, juntamente com o ambiente físico da USPPS, muito próximo dos ambientes onde um médico pode atuar. “Os atores são muito bons. Como são pessoas e não bonecos, conseguimos fazer os exames básicos de aferição de pressão arterial, batimento cardíaco, respiratório, abdômen, dentre outros. Pela entrevista conseguimos saber as queixas e sintomas. A situação criada neste ambiente de aprendizagem é muito próxima do real, só percebemos que o caso não é de verdade mesmo quando vamos fazer um exame clínico para tentar encontrar o problema por meio de alguns sinais, já que é uma simulação. Talvez poderíamos usar alguns recursos associados ao trabalho do paciente simulado para ajudar a tornar o atendimento simulado ainda mais real”.

Programa de Orientação ao Paciente Simulado
O  Programa foi estruturado em 2006 no Departamento de Medicina da UFSCar, juntamente com a criação do curso de Medicina, tendo como inspiração os programas originados nas universidades de MacMaster, no Canadá, e Maastrich, na Holanda, e em nível nacional, o programa desenvolvido na Famema, em Marília. “O diferencial aqui na UFSCar é que, ao invés de usarmos a metodologia de aprendizagem em simulação somente em um determinado momento da trajetória do aluno ou em algumas disciplinas, ele é inserido durante todo o período acadêmico deste estudante, semanalmente, principalmente nos quatro primeiros anos do curso”, explica Andrea.

O paciente simulado é um recurso educacional utilizado em diversos cenários do ensino há mais de 40 anos. Esta estratégia pedagógica é utilizada no desenvolvimento de habilidades clínicas e também como instrumento de avaliação.

Albecy Cavalari, de 30 anos, estudante de Biblioteconomia, é paciente simulado há dois anos e meio. Ele viu na atividade uma maneira de saber mais sobre assuntos relacionados à saúde e também para quebrar um pouco a timidez. “É um momento de construção em que o aluno pode errar. Um diferencial que vejo também é que posso colaborar depois dizendo como foi o atendimento, o que não acontece num atendimento médico”.

O Programa visa a capacitação de pessoas que apresentem o perfil para atuarem como paciente/ator no que compõe o campo do relacionamento profissional na área da saúde. As pessoas que atuam são orientadas para simularem uma determinada situação, com objetivo de representar a realidade e suas implicações às quais estão expostos os profissionais de saúde. Qualquer pessoa acima de 18 anos, que tenha concluído o Ensino Fundamental e que tenha facilidade para memorizar, pode ser um paciente simulado. O trabalho é remunerado por hora de trabalho e não é necessário ser ator. O interessado se inscreve na USPPS, e quando surge demanda para seu perfil é chamado para participar das reuniões de orientação e capacitação para, posteriormente, atuar como paciente simulado. Cerca de 350 alunos dos curso de Medicina, Enfermagem, Gerontologia, Fisioterapia, Terapia Ocupacional e Educação Física passam pelo sistema de simulação. “Em nenhum momento o aluno percebe que é um paciente simulado, pois é tão real e rico, que ele pode aprender mesmo a prática da profissão”, conta Andrea.

Exclusividade

Sérgio Luiz Brasileiro Lopes, professor do Departamento de Medicina da UFSCar e gerente de ensino e pesquisa do Hospital Universitário (HU), ressalta que a Universidade é a primeira a colocar no organograma do HU a simulação para capacitar os médicos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e demais profissionais da equipe do Hospital Universitário, prioritariamente, e também dos serviços de saúde que atendem pelo SUS da cidade. “Nossa prioridade é capacitar os profissionais da saúde dos hospitais universitários da região sudeste, mas também poderemos capacitar profissionais de qualquer hospital público”.

Outra exclusividade do curso de Medicina é que a USPPS é a primeira do Brasil que tem todos os ambientes onde um médico pode atuar. São diversos módulos funcionais orientados para que o estudante possa exercitar habilidades, competências e atitudes que serão posteriormente aplicadas no atendimento aos pacientes durante a prática real. “Aqui o aluno participa de oficinas de capacitação em procedimento e atendimento, num ambiente físico muito próximo de uma unidade básica de saúde real, realiza visitas em cenários de domicílios estruturados com esta finalidade e hospital contendo urgência e emergência, internação, central de material e centro cirúrgico”, finaliza Andrea.

Mais informações: http://www2.ufscar.br/servicos/noticias.php?idNot=8070.
Acessado em 05/01/2016.

Carta divulgada pela ABEM pede pelo combate ao trote, à violência e à opressão na Medicina

0 Comentários // em Uncategorized // 12 de fevereiro de 2015

Carta divulgada pela ABEM pede pelo combate ao trote, à violência e à opressão na Medicina
Pedro Franz (2015)

Em carta enviada às escolas médicas, a ABEM, Associação Brasileira de Educação Médica, pede à comunidade acadêmica que combata o trote, a violência e a opressão, sobretudo neste período de recepção dos ingressantes nos cursos de Medicina do país.

Confira a carta:

VIOLÊNCIA E TROTE: CARTA DA ABEM À COMUNIDADE ACADÊMICA DOS CURSOS MÉDICOS − DIRIGENTES, DOCENTES, PRECEPTORES E ESTUDANTES

Ao nos aproximarmos do início de mais um ano letivo e, tendo em vista a dimensão que a violência tem se apresentado em nossa sociedade, precisamos refletir, de forma franca e corajosa, sobre como ela está infiltrada entre nós.

Precisamos ficar atentos nas festas de recepção aos ingressantes em nossos cursos, principalmente na identificação e no combate à violência banalizada e minimizada que pode ser percebida por alguns como “normal”, parte de um “rito de passagem” ou de “nossas tradições”.

Os responsáveis pelos Cursos de Medicina devem deixar claro aos seus ingressantes que estes têm o controle sobre a recepção que recebem. Sempre que algo lhes parecer desagradável ou que venham a se sentir, de alguma forma, ameaçados, constrangidos ou agredidos, não devem hesitar em procurar as comissões de recepção, os centros acadêmicos e as suas diretorias, que devem estar preparados para tomar as providências necessárias para coibir e punir tais ocorrências.

Os veteranos devem saber que o trote é proibido dentro e fora das faculdades e campus universitários, com regras emanadas de instâncias acadêmicas e judiciais, que limitam claramente o que pode e o que não pode ser feito.

É importante lembrar que médicos, docentes ou não, e médicos residentes, que eventualmente participem de trotes violentos, assédio e constrangimentos estão passíveis, além das normas institucionais, também das averiguações éticas pelos conselhos profissionais e sujeitos as punições constantes do Código de Ética vigente.

Respeitar e acolher a todos, sempre, e em especial o colega ingressante, é um imperativo ético e profundamente humano!

Os gestores e professores não podem tolerar qualquer forma de violência. Cabe ao conjunto de pessoas da instituição e não somente aos veteranos decidir sobre o que é “tolerável”, “normal” ou “habitual” durante as recepções aos calouros. Cabe a eles, ainda, investigar toda e qualquer denúncia e punir os excessos, com rigor proporcional à gravidade dos fatos apurados.

Sabemos que não é apenas na recepção e no âmbito das faculdades e universidades que a violência se manifesta. Devemos confirmar compromisso de combatê-la em todos os ambientes e em todas as suas formas, por mais dissimuladas que estas possam ser percebidas!

“Humilhação e violência não podem ser comemorativos de momentos de vitória e de celebrações!”

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