Discurso do orador na colação de grau da Turma I do Curso de Medicina da UFSCar

0 Comentários // em Notícias UFSCar // 2 de fevereiro de 2012

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Discurso do orador Marcos Antônio Francisco na Colação de Formatura da Turma I do Curso de Medicina da UFSCar realizada no dia 26 de janeiro de 2012:

“Boa noite a todos.

Gostaria, inicialmente, de agradecer a presença do Magnífico Reitor Prof.º Targino, vice-reitor Prof.º Pedro, pró-reitoria de graduação Prof.ª Emília, do nosso patrono Prof.º Sérgio, do nosso paraninfo Prof.º Humberto, professores homenageados Bernardino e Ludmila, demais professores, caros colegas e demais presentes. E agradecer aos meus colegas pela responsabilidade de discursar neste momento tão especial de nossas vidas.

Prometo tentar ser breve.

Foi uma tarefa muito difícil colocar, em um discurso, seis anos de alegrias, tristezas; amores, desamores; amizades, inimizades; entusiasmo, desânimo; verdades e mentiras. E não exagero quando digo que sentimos e vivemos tudo isso.

Ao escolhermos essa Universidade, tomamos uma decisão que mudaria nossas vidas. Escolhemos pelo novo.

A idéia de cursar medicina em uma instituição que se propôs em nos dar uma formação diferenciada e atual, além de nos possibilitar alcançar o sonho de sermos médicos, também nos deu os desafios para construirmos o centro acadêmico, a atlética, as ligas acadêmicas, os brasões e tantas outras tradições que tornam cada escola peculiar. Esses foram motivos que nos fizeram querer estar aqui. Fomos conquistados pela promessa de que seriamos os primeiros alunos a desfrutar daquilo que estava sendo construído: um hospital novo e moderno, laboratórios de habilidades práticas e um corpo docente qualificado e empenhado em melhorar a formação médica do país.

No entanto, na nossa ingenuidade e imaturidade, não percebemos que ao criarmos o centro acadêmico, a atlética e todo restante, estávamos inseridos em algo maior do que inicialmente tínhamos dimensão. Tivemos que construir um currículo, reivindicar melhores condições de aprendizagem, sermos líderes, protestar e nos posicionar contra discursos falsos e vazios.

Para nós que vivemos essa aventura de se formar em medicina e ainda desbravar os conturbados caminhos desse curso da UFSCar, o discurso de formatura deve ser algo especial, que nos seja útil, sirva-nos em momentos de reflexão e nos ajude daqui para frente. Foi pensando assim que quero falar a vocês: caros colegas, caros companheiros, caros e sinceros amigos.

Dentro de nossa profissão, de nossa trajetória, de nossas conquistas; enfim, de nossas vidas, uma das capacidades mais fundamentais que precisamos desenvolver é a de decidir. E durante esses seis anos, o cerne da nossa formação, como médicos, foi desenvolvê-la. Todas as informações que aprendemos, todo paciente que atendemos, todo procedimento que acompanhamos e executamos, foram para desenvolver a habilidade de realizar a ação certa no momento correto.

Daqui para frente, não podemos nos contentar com erros, mas almejarmos o acerto, pois não somos mais estudantes e, sim, médicos! Com certeza, nossos pacientes sempre esperam que tomemos a decisão correta. Nesse ensejo, vamos precisar nos pautar nos seis anos que aqui vivemos. Deles virão o subsídio para decidir.

Eu sei que, para todos, a dúvida de estar preparado é inevitável após estas palavras. Ainda mais porque não tivemos o melhor curso de graduação. Aliás, não tivemos nem um curso digno da nossa capacidade. Sim! É fato que esta instituição não foi capaz de oferecer a melhor formação médica para seus alunos. Os motivos disso não cabem aqui serem comentados. Mas com certeza todos os percalços pelo caminho não foram unicamente devido a um curso em implantação, e sim, em grande parte, pela incompetência dos gestores desta Universidade.

Mas, caros amigos, não se deixem abalar pelas incertezas, agarrem-se as certezas.

A certeza de que vocês fizeram o máximo: estudaram mesmo quando os livros chegaram seis meses depois, aprenderam a suturar mesmo quando o laboratório de habilidades ainda não estava pronto, dormiram no plantão naquele banco duro porque não tinha conforto para os internos e conheceram todas as regiões do estado de São Paulo no seu internato itinerante.

A certeza de que vocês entendem o sofrimento do outro e são capazes de ajudá-lo.

A certeza de que vocês conseguem realizar um bom trabalho.

A certeza de que vocês são capazes de superar as adversidades.

A certeza de que vocês fazem a diferença.

E então, ao invés de medo, tenhamos coragem.

Mas para decidir não basta apenas a coragem. Se não sempre tomaremos decisões ingênuas, precipitadas e inconseqüentes. Assim, tenhamos também:

Sabedoria. Lembremo-nos das horas que passamos estudando. Nós nos esforçamos e com certeza algo ficou deste esforço. Não nos esqueçamos das pessoas sábias que nos ajudaram: nossos professores, os quais nos acompanharam neste caminho, sendo nossas referências, mas lembrem apenas dos que valem ser lembrados.

Tenhamos Calma. Toda vez que ficamos aflitos não conseguimos dar o nosso máximo. Nós construímos uma história, vamos olhar para ela e vermos que já estivemos em momentos de desespero, que passaram quando tivemos paciência.

Tenhamos Empatia. Olhar o paciente com a compreensão de se imaginar no lugar dele é fundamental para que ao decidirmos não sejamos arbitrários, impositivos e descontextualizados.

Se conseguirmos sempre decidir corajosamente, sabiamente, calmamente e empaticamente, então, teremos grande chance de ter tomado a decisão correta. Lembremos que cada decisão tomada traz suas conseqüências. E nem sempre elas nos agradam. Mas, não se torturem imaginando que ter decido diferente poderia ter mudado a história.

Orgulhem-se de sua história porque vocês decidiram sobre ela.

Os últimos seis anos já faz parte do passado, não há mais o que decidir sobre eles. No entanto, ainda teremos muitos anos para decidir a nossa história e a de outros.

Por isso, peço a vocês decidam por ser felizes, pelo bem do próximo, por uma medicina digna para vocês e seus pacientes.

Obrigado.

É isso ai, jovens!!!”

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