Nota de Apoio à doutoranda Thaís Santos Moya

0 Comentários // em Uncategorized // 20 de dezembro de 2014

O Centro Acadêmico Medicina Sérgio Arouca (CAMSA), em suas atribuições enquanto entidade representativa dos estudantes de Medicina da Universidade Federal de São Carlos, vem, por meio desta, declarar seu apoio à doutoranda Thaís Santos Moya, pertencente ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFSCar, bem como seu repúdio às agressões relatas e à postura do Programa frente ao caso.

Thaís sofrera assédio sexual e abuso moral por parte de seu professor/ex-orientador, relatando ter sido agarrada e beijada sem seu consentimento em mais de uma ocasião. Como consequência de recusar as investidas, Thaís foi progressivamente retirada dos projetos do núcleo de estudos coordenados pelo professor e teve a orientação de sua pesquisa negligenciada.
Durante dois anos a pós-graduanda fora silenciada, coagida pelas relações de poder e pelo medo de possíveis retaliações, assim como das consequências negativas que recairiam sobre o Programa. Recentemente, ao sentir-se segura em uma survey realizada pelo PPGS, Thaís expôs os ocorridos anonimamente, entretanto não obteve êxito. Sua mobilização fora deslegitimada e Thaís foi mais uma vez coagida por seus docentes a retirar sua denúncia e desmobilizar os estudantes que apoiaram sua causa, em prol da manutenção de uma suposta “ordem”.
Uma semana atrás, contudo, Thaís enfim decidiu expor publicamente, em seu perfil no Facebook, a situação que, infelizmente, é naturalizada no cenário acadêmico. Desde então, diversos grupos e instituições tem dado notoriedade à sua causa, apoiando-a. O CAMSA é uma delas.
O CAMSA repudia qualquer tipo de violência contra a mulher, assim como o uso de poder hierárquico com fim de promover manipulação, humilhação ou violência. A deslegitimização da acusação pelo Programa é reflexo de uma lógica acadêmica opressora e de uma sociedade que tende a diminuir e ridicularizar a gravidade do assédio sexual, que não pode nem deve ser tolerado em hipótese alguma. O caso precisa atingir sua devida notoriedade, devendo ser seriamente investigado, pois a opressão sexual proveniente do poder de gênero e posição social é inaceitável, necessitando ser combatida e seus praticantes, punidos.
Logo, apoiamos o encaminhamento proposto pela Universidade, de criação de espaços que promovam acolhimento e o apoio à comunidade universitária, assim como a prevenção e combate a quaisquer expressões de preconceito, discriminação e/ou violência.
Esta publicação visa, além de apoiar individualmente o caso de Thaís, promover um ambiente acadêmico mais justo e acolhedor para todos os estudantes, onde casos como este não se repitam ou sejam negligenciados.

Permaneçamos em pé!

PS. Ficamos felizes ao receber a notícia de que, na última quinta-feira, 18 de dezembro, Thais defendeu seu doutorado e agora é, oficialmente, doutora. Parabéns, Thaís!

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