Quais são os benefícios para a população com a inserção dos estudantes?

0 Comentários // em A Espiral // 16 de dezembro de 2009

gonzaga1

A inserção de estudantes no SUS ainda gera muita polêmica. Até onde isso é usado para o aprendizado dos estudantes e até onde traz benefícios aos pacientes? A UFSCar vem propondo mudanças e incluindo novos cenários de aprendizagem na graduação, com o objetivo de integrar os estudantes com a população e modificar a realidade em que se inserem. A interação do aprendiz com a vivência prática da profissão busca incentivar o vínculo e a responsabilidade com a comunidade.

Todo estudante de medicina, em algum momento de sua formação, deve entrar em contato com pacientes para se tornar médico. Entretanto, durante a graduação, toda atividade prática deve ser supervisionada e, na UFSCar, os acadêmicos ainda realizam treinamentos com atores, bonecos e cadáveres para aprimorar técnicas e garantir maior segurança aos estudantes e pacientes. Nas unidades de saúde, os estudantes desenvolvem treinamento no cuidado às necessidades individuais e coletivas e na organização e gestão do trabalho em saúde.

Em uma avaliação qualitativa feita pelos usuários do serviço de saúde, o padrão de excelência foi maior no atendimento prestado pelo graduando supervisionado quando comparado ao feito exclusivamente pelo médico. Talvez uma explicação para este fato seja a de que os acadêmicos dispensam maior tempo e atenção e possuem maior motivação para aprender e ser útil a cada paciente. Já os profissionais médicos, em decorrência do desgaste natural, diário, buscam a resolutividade rápida dos problemas e, às vezes, acabam, dessa forma, não atendendo completamente os interesses dos pacientes. Além disso, a baixa remuneração e a carga horária excessiva determinam a procura por múltiplos empregos, agravando ainda mais o atendimento médico do profissional em comparação ao dos acadêmicos.

Até mesmo os procedimentos e o exame físico realizados por acadêmicos são melhores avaliados pelos pacientes. Isso ocorre não só devido ao desgaste do médico e sua falta de tempo, mas por eles usarem da experiência e já se guiarem para um exame mais específico e direto, ao contrário do acadêmico, que realiza um exame mais minucioso e completo que pode levar a achados sutis, porém muitas vezes relevantes e que determinam maior confiança do paciente em relação ao profissional da saúde ali presente. O acadêmico ainda costuma ser mais enfático nas orientações ao paciente e usa uma linguagem mais simples, clara e acessível, facilitando o seu entendimento e aumentando sua satisfação com a consulta.

Com o objetivo de formar médicos com esse perfil diferenciado, a graduação médica na UFSCar é voltada para fazer, na vida acadêmica, o que se espera que aconteça fora dela. Assim, pretende-se formar profissionais que compreendam mais a realidade dos seus pacientes. Os ganhos não são apenas acadêmicos, mas alcançam na população todas as intervenções de prevenção, cura, reabilitação, para a promoção da sua saúde.

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