PAUTA DE REIVINDICAÇÕES DOS ESTUDANTES DE MEDICINA DA UFSCar

0 Comentários // em CAMSA Greve Movimento Estudantil Paralisação Rede Escola UFSCar // 31 de março de 2013

Seguem as reivindicações dos estudantes de Medicina da UFSCar em greve, publicadas em 15 de março, como anexo do Manifesto dos Estudantes:

  1. Não retaliação acadêmica, administrativa, nem jurídica aos estudantes em greve.
  2. Reposição integral da carga horária de todos os anos do período de greve e da carga horária prática do 3º e 4º anos, perdida devido à falta de preceptores.
  3. O número adequado de preceptores no município de São Carlos para a viabilização das atividades do segundo ciclo, com estímulo ao credenciamento desses profissionais.
  4. Um número adequado de USF’s para realização da prática dos ciclos I ao III de acordo com o projeto político pedagógico do curso.
  5. O número mínimo de 5 docentes para cada atividade curricular ( SP, ES E RP) por série, além da criação de um plano para fixação docente.
  6. Que o cronograma de oficinas seja cumprido, inclusive as que não foram realizadas em anos letivos anteriores como as que estão previstas para as respectivas séries dos alunos. As datas das oficinas deverão ser acordadas no início do ano letivo já com a indicação dos professores responsáveis por ministra-las.
  7. A entrega e funcionamento do USPPS, com técnico que saiba utilizar todos os equipamentos e capacitar os monitores em 30 dias.
  8. Transparência nas negociações do internato, com representação discente em todas as reuniões e acesso a todos os documentos oficiais, além da comprovação da qualidade do estágio realizada por um órgão competente.
  9. A garantia da inserção discente nos demais laboratórios do CCBS.
  10. O estabelecimento e o cumprimento de uma data para entregada do DMed 2, com os laboratórios devidamente equipados e funcionando.
  11. Reivindicamos que a Instituição ofereça oportunidades de estágio a todos os alunos na própria UFSCar, mas que ainda assim, seja permitida a realização da ACC em outras instituições, e que nesse caso, o Departamento de Medicina da UFSCar faça o contato interinstitucional ou convênios quando estes forem necessários.
  12. Uma matriz curricular específica e detalhada para cada série, do primeiro ao sexto ano, contemplando todas as áreas do conhecimento necessário.
  13. Que os orientadores pedagógicos cumpram com seu papel de direcionamento dos estudantes frente à ACC (reuniões formais 2 vezes ao ano, uma vez em cada semestre, em caráter formal e presencial, faça uso de prontuário do estudante que se encontra na secretaria geral, e/ou portfólio para orientá-lo nas discussões relacionadas ao seu processo de aprendizagem, que faça um relato sobre os encontros formais em formulário específico, cabendo ao orientador o primeiro contato com o estudante).

Manifesto de Greve dos Estudantes de Medicina da UFSCar

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Manifesto de Greve dos Estudantes de Medicina da UFSCar

“Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem”. - Rosa Luxemburgo

Nós, estudantes de medicina da UFSCar, vimos pelo presente documento expressamente divulgar e apontar nosso descontentamento frente ao contínuo sucateamento do curso médico oferecido pela supracitada universidade. Exigimos que providências sejam tomadas pelas partes responsáveis, direta ou indiretamente, pela gestão, zelo e bom funcionamento da graduação em medicina. Exigimos um curso médico de qualidade a fim de poder, futuramente, oferecer um cuidado adequado à saúde da população em geral.

A paralisação total das atividades do primeiro ao quarto ano foi o único caminho restante vislumbrado pela maioria dos alunos. mesmo com um prejuízo imenso envolvendo carga horária, tempo de formação, exposição e a própria tensão psicológica surgida em tal atividade, tanto para professores como alunos, não desistiremos até que nossas reivindicações sejam atendidas. Não estamos exigindo nada além daquilo que nos foi prometido: “Um ensino médico de excelência, ousadia e compromisso social à luz das Diretrizes Curriculares Nacionais de Graduação em Medicina e dos princípios do Sistema Único de Saúde – SUS.” Infelizmente, nem o suporte básico à graduação bem como a questão assistencial em saúde à população serão possíveis enquanto não houver interesse e investimento nesse setor.

As reivindicações de nós, estudantes de medicina, vão muito além de uma questão intimista e pessoal. Ao contrário, atendem também ao suplício de toda uma população sedenta por um atendimento de excelência em saúde. Assim, esperamos por uma sensibilização das autoridades competentes quanto a essa questão e, mais, esperamos uma ação sinérgica entre todas as partes envolvidas para a resolução de tais agravos. Na busca de um ensino de excelência, na busca por um cuidado digo à população.

São Carlos, aos 15 de Março de 2013.
Estudantes de Medicina em Greve.

‘Texto retirado do Manifesto de  Greve dos Estudantes de Medicina da UFSCar.’

Leia aqui Manifesto na íntegra.

Por que Medicina? Por que UFSCar?

0 Comentários // em CAMSA Medicina São Carlos UFSCar Vestibular // 10 de janeiro de 2013

Medicina UFSCar

Aos vestibulandos e futuros alunos da medicina UFSCar,

Antes de entrar na faculdade, quando comecei a pensar na ideia de vir para a UFSCar, não conhecia bem como era aqui e comecei a procurar informações. Nos cursinhos por onde passei (Etapa e Poliedro) e de todas as pessoas de fora, sempre que perguntava sobre o curso a resposta era a mesma: “acho que não é uma boa opção!”. Bom, segundo eles, o curso apresenta tudo de ruim que um curso de medicina pode ter: não tem hospital escola e utiliza o PBL como metodologia de ensino.

Nesse tempo que estou aqui, pude ver a realidade e passo a vocês como, de fato, é o curso. O PBL ou ABP (Aprendizagem Baseada em Problemas) foge do método tradicional, em que há aulas com turmas grandes e professores passando o conhecimento aos alunos que o recebem de maneira “passiva”, e trabalha por meio de discussões em pequenos grupos com a busca do conhecimento por parte dos próprios alunos, que passam a ser “ativos” na busca do mesmo. Isso parece loucura em um primeiro momento, pois não parece que vamos conseguir aprender tudo sem o professor para nos ensinar, mas depois de algumas crises da pra ver que de fato este método funciona e que aprendemos a desenvolver um raciocínio clínico mais precocemente, se comparado com alunos do método tradicional. Isso fica evidente com os elogios que nossos alunos recebem ao fazer estágios em outras universidades. Quanto ao hospital escola, já existe um módulo funcionando em que ocorre uma parte do internato, e aguardamos o prazo da nova prefeitura para sua finalização.

Em 2012, fizemos manifestações em busca de melhorias para a área da saúde de São Carlos e para o próprio curso de medicina. Como resultados, conseguimos mostrar que não estamos passivos quanto à politica da cidade, o compromisso de melhorias na qualidade do ensino e de ajustes nas estruturas do curso.
Apesar dos problemas e das incertezas não mudaria daqui. Aqui temos uma maior proximidade com os professores, proporcionada pelas atividades em pequenos grupos; temos uma grande abertura para participar de ligas acadêmicas, projetos de extensão e, até, do centro acadêmico e da atlética; e temos por base o excelente desempenho dos alunos da turma I (quase 90% de aprovação direta) nas mais concorridas residências, como cirurgia (UNIFESP, FAMEMA), clínica médica (USP, UNESP, FAMEMA), anestesiologia (USP) pediatria (UNICAMP), entre outras. Logo, podemos ver que o curso de medicina da UFSCar forma médicos generalistas competentes, que tem firmado o nome dessa universidade no meio médico. Todos estes motivos me dão confiança a continuar aqui e a buscar a não acomodação com o que nos é imposto, buscando uma postura ativa, não somente nos estudos, como também na vida.

Lucas Rocha Silva Barbosa – Turma VII

Acadêmico do 2º ano do Curso de Medicina da UFSCar.

Estudantes de Medicina na Tribuna Livre da Câmara Municipal de São Carlos – Vídeo

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Estudantes de Medicina na Tribuna Livre da Câmara Municipal de São Carlos

0 Comentários // em CAMSA Rede Escola UFSCar // 18 de setembro de 2012

Discurso realizado na Tribuna Livre da Câmara Municipal de São Carlos no dia 18 de setembro de 2012:

Estamos na época de eleições municipais. Nenhum outro momento poderia ser mais propício à discussão de dois temas explorados à exaustão durante a propaganda eleitoral e que se mostram da maior importância para nós, que escolhemos São Carlos como cidade para estudar e viver: a saúde e a educação.

Conscientes do nosso papel na sociedade como cidadãos e futuros médicos, hoje mais uma vez utilizamos esta Tribuna Livre para expor nossos problemas, não por estarmos apenas seriamente preocupados com as dificuldades que se apresentam ao desenvolvimento das atividades de nosso Curso – que mais uma vez apresenta riscos à sua continuidade – mas também, pela relação intrínseca que possuímos com o Sistema Único de Saúde (SUS) de São Carlos.

Em nossa cidade existe ou existiu uma parceria entre a Universidade Federal de São Carlos e a Prefeitura Municipal. Esta parceria, formalizada no ano de 2006 através de lei municipal aprovada nesta Casa, criou a Rede Escola de Cuidados à Saúde de São Carlos.

Como os Senhores aqui presentes bem sabem, a criação desta Rede Escola tem sua origem na expectativa da população são-carlense em ter em nossa cidade um sistema de saúde público de qualidade e um curso de medicina que pudesse formar médicos de uma maneira inovadora e comprometidos com o SUS.

O projeto da Rede Escola prezava pela aproximação da universidade com o sistema de saúde local e objetivava, entre outros pontos, sua qualificação.

O Curso de Medicina da UFSCar, tantas vezes citado nesta tribuna, teve sua origem na necessidade de transformar, no país, o processo de formação em saúde, criando um curso apto a formar médicos de qualidade, com preocupação humanística e comprometidos com a integralidade do cuidado dos pacientes. O projeto implantado pela UFSCar para formar seus médicos seria um dos mais inovadores na área da educação médica e estava em plena harmonia com as políticas de educação e saúde do Governo Federal. Com efeito, o paradigma vigente de formação médica encontrava-se sob questão desde a adoção pela nossa Universidade de estratégias inovadoras de formação, como o currículo orientado por competência profissional, a integração da teoria com a prática, a abordagem educacional construtivista e a estreita colaboração entre a universidade e o município em favor da transformação do cuidado em saúde. Seu objetivo era proporcionar a nós, estudantes, uma formação moderna, humana, de excelência e orientada às necessidades de saúde da população para que nos tornássemos atores no processo de mudança do Sistema Único de Saúde.

Infelizmente, em algum ponto deste caminho tortuoso, nossos sonhos como futuros médicos e nossos esforços como estudantes não foram e não são respeitados e correspondidos por aqueles responsáveis por nossa formação.
Desde o ano de 2006, estivemos envolvidos e participamos ativamente de análises, reflexões e ações com o intuito de garantir a qualidade de nossa formação e a melhoria do SUS, com a consolidação da Rede Escola. No ano de 2009 paralisamos as atividades do nosso curso por longos 67 dias e apresentamos à sociedade e negociamos com à UFSCar e a Prefeitura uma pauta de reivindicações com 17 itens. Em 2010 enfrentamos a interrupção de atividades de prática profissional por falta de Hospitais para estágio dos estudantes da primeira turma do Curso. Mais de seis anos se passaram desde o momento que nós estudantes começamos a nos posicionar publicamente sobre os problemas de planejamento, execução e compromisso com nossa formação. Ainda aguardando a melhoria das condições de ensino, organizamos durante este ano de 2012, diversas Assembleias de Estudantes para discutir nosso processo de formação. Chegamos à perversa conclusão de que poucos avanços foram alcançados e muitos problemas, não só não foram resolvidos, como muitos outros surgiram.

Não temos a ilusão de que, como num passe de mágica, nossos problemas serão resolvidos. Mas também não nos acomodaremos nem ficaremos calados diante da desonestidade, da falta de compromisso e da incompetência técnica e administrativa. Lutaremos pelo que nos é de direito e por isso estamos aqui expondo para vocês o que é de direito de vocês saberem: fomos enganados, vocês foram enganados, a população de São Carlos foi enganada.

Não ficaremos parados, semana passada realizamos um ato defronte à Reitoria da Universidade Federal, hoje pela manhã fizemos uma passeata rumo ao Hospital Escola Municipal, representação máxima da interrupção de tudo o que nos foi prometido. Ao lado daquela obra inacabada enterramos simbolicamente nossos sonhos de formação. Somos vítimas de um projeto elaborado por uma universidade amadora, de uma política de governo estagnada e de um sistema de saúde falido – porém perfeitos no discurso. Os pactos acordados não foram cumpridos, os estudantes estão sem ensino e a população sem saúde.

Nosso Hospital Escola foi idealizado concomitantemente com a criação do curso de medicina, está sendo construído em duas etapas. O primeiro módulo foi inaugurado no mês de novembro de 2007 e sua gestão foi concedida para a SAHUDES que propôs um plano de trabalho no qual o inseria plenamente na Rede Escola, colocava que todo o processo de cuidado prestado seria realizado através de novos arranjos organizacionais por equipes de referência, apoio matricial, democratização da gestão, uso de ferramentas de plano terapêutico e de alta hospitalar aliados à implantação de acolhimento. A integração com a academia seria prioridade, afinal o hospital tem em seu nome o “escola”. Antes das eleições municipais de 2008, quando o plano de trabalho original aparentemente foi deixado de lado bem como a gestão administrativa e do cuidado que sofreram sérios abalos. A parte concluída do HE se transformou basicamente em uma unidade de pronto atendimento e lamentavelmente as obras do segundo módulo não forma concluídas. Já se passaram oito anos desde o início da construção.

Enfrentamos a deficiência do número de unidades de saúde disponíveis na Rede Escola que prejudica a viabilização do curso e a adequada assistência à população. Nestas unidades ainda enfrentamos a falta quantitativa de médicos disponíveis para realizarem nossa supervisão e em alguns casos, realizarem o cuidado aos pacientes adequadamente. Desde 2006 sabemos da necessidade de trinta Unidades de Saúde da Família no município, com médicos bem pagos, equipes treinadas e ambiente adequado, tanto para o atendimento à população e para o trabalho, como para o ensino. Hoje necessidade se mostra como um obstáculo estrutural que inviabiliza as atividades de grupos de estudantes. A meta de 50% de cobertura populacional prometida através da instalação de 30 Equipes de Saúde da Família (ESFs) até o fim de 2007 está longe de ser cumprida neste ano de 2012. Hoje o município possui 14 ESFs em efetivo funcionamento.

Um dos fatores limitantes à instalação das ESFs é o baixo índice de médicos que prestam e que assumem os concursos para integrarem estas equipes. A gestão municipal não valoriza seus profissionais e não oferece salários compatíveis com a média regional e muito menos oferece condições adequadas de trabalho aos médicos. Soma-se a isso a falta de um plano de carreira, cargos e salários para os profissionais da saúde o que faz com que os profissionais médicos não procurem São Carlos para atuarem e os que aqui se encontram sejam forçados a procurarem outras oportunidades de trabalho em cidades da região. Quantos de nós permanecerão em São Carlos após a conclusão do Curso de Medicina?

Encontramos obstáculo para o desenvolvimento do curso também na oferta de serviços especializados no município de São Carlos que é deficiente e insuficiente para suprir as demandas da população. Não é somente a atenção primária (USFs e UBSs) que são necessárias como cenários de ensino-aprendizagem aos estudantes. A inserção nos serviços de atenção especializada ambulatorial é também imprescindível à formação de médicos. Neste contexto, pedimos mais uma vez a incorporação efetiva da Unidade Saúde Escola da UFSCar (USE) à Rede Escola e a integração com as políticas de saúde do Governo Estadual com a instalação de um AME em São Carlos.

Tivemos durante os últimos anos muitos problemas com nossa inserção na Santa Casa. Nós estudantes acreditamos nas potencialidades deste cenário de prática profissional para complementar as nossas atividades desenvolvidas em outros hospitais. Acordos não foram pactuados corretamente e outros não foram cumpridos, assim, nossa inserção neste importante cenário hospitalar é realizada de maneira apenas pontual. Precisamos mudar esta realidade. As negociações precisam ser retomadas e nossas atividades planejadas e combinadas de forma honesta, preto no branco – a UFSCar mostrando suas necessidades e seus recursos disponíveis, a Santa Casa decidindo ser ou não espaço para nosso aprendizado, os profissionais serem nossos preceptores e nossos docentes atuarem ali como médicos.

Enquanto nossos cenários de prática profissional – USFs, HE, CEME, Santa Casa, etc. – são insuficientes, temos nos últimos três anos realizado atividades fora de São Carlos nas cidades de Limeira, Diadema e Bauru. Consideramos que as perspectivas de resolução deste problema a curto e médio prazo são mínimas. Corremos um sério risco de não termos cenários de prática profissional disponíveis para os seis anos do curso no próximo ano. Uma das soluções é mais uma vez nos deslocarmos de São Carlos para estudar, outra seria reduzir o número de vagas ofertadas no vestibular, das atuais 40 para 20 anuais.

Com toda esta realidade, para nosso espanto, o MEC ainda solicitou recentemente a ampliação do número de vagas ofertadas, sem contrapartidas de novos investimentos e resolução das dificuldades atuais.

Não responsabilizamos somente a Prefeitura pelos problemas que apresentamos hoje. Parte considerável dos responsáveis pelas instabilidades na nossa formação são de dentro da própria UFSCar, e são representados por toda a estrutura de gestão universitária: desde sua administração superior – reitoria e pró-reitorias – até o Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), Departamento de Medicina e Coordenação do Curso de Medicina.

Lembrando que são os docentes de nossa Universidade aqueles – queremos muito acreditar que sim – mais comprometidos conosco. Muitos deles vestem a camisa enquanto outros não. Professores, quando começarão a atuarão de fato como um corpo docente?

Temos problemas ainda hoje com a definição dos objetivos educacionais devido à ausência de uma matriz curricular construída para um currículo baseado em competências. A ausência desse instrumento leva a atividades fora de contexto do currículo, a avaliações ineficientes e falhas para medir a progressão do estudante. Reiteramos a necessidade da construção desta ferramenta orientadora para o currículo. Nossa Unidade de Simulação da Prática Profissional, uma das peças fundamentais para o aprendizado dos estudantes ainda está com suas obras paralisadas. Enfrentamos ainda a falta de professores e a dificuldade de inserção deles na Rede Escola. Aulas estão sendo perdidas, excluídas e não repostas. A gestão do nosso currículo é inexistente.

É com este cenário caótico, que nós Estudantes de Medicina da UFSCar nos deparamos. Não podemos mais nos contentar com tentativas infrutíferas de “tampar buracos”. Almejamos a excelência acadêmica e o compromisso social, afinal, são esses os lemas de nossa Universidade.

Acreditamos que a universalização do ensino superior público e gratuito deve ser prioridade dentre as pautas da educação. Porém, não podemos aceitar uma situação de abertura de novos cursos, como o nosso, que com um tímido planejamento deixa de lado a qualidade do ensino ao ampliar o número de vagas e não garantir recursos, infraestrutura e articulações necessárias à viabilização de seu projeto.

No mínimo, se faz necessário força de vontade e comprometimento. Se por um lado é papel da universidade garantir a excelência do ensino que, a nosso ver, envolve, principalmente, a atuação dos estudantes junto à rede de saúde e a oferta de conhecimento acumulado para a sociedade, por outro é papel dos gestores municipais garantirem recursos financeiros, humanos, infraestrutura e mecanismos adequados para o cuidado digno da população de São Carlos e região.

Nesse sentido, é de fundamental importância a atuação dos Senhores Vereadores. Como nossos representantes, pedimos que discutam e deliberem permanentemente, acompanhando a execução da política de saúde deste município e propondo correções e aperfeiçoamentos nos rumos desta política. Os gestores municipais – Sr. Prefeito, Sr. Secretário de Saúde – têm o dever de negociar com os representantes da sociedade os rumos desta política. Os representantes dos trabalhadores da saúde devem buscar a melhoria das condições de trabalho de seus próprios serviços. E os representantes dos usuários, que realizam o controle social do SUS, e são os representantes do real poder da população em modificar os planos e as políticas em saúde, devem lutar pela melhoria da qualidade de vida da população. E, acima de tudo, todos devem defender os interesses do coletivo.

Dos candidatos à Prefeito queremos propostas efetivas para a saúde, não somente rascunhos de propostas de governo. Vocês possuem um projeto para a saúde deste município? Estarão alinhados com os Governos Estadual e Federal? Estarão comprometidos com a qualidade a ampliação do atendimento, com a racionalização de recursos, com a gestão qualificada e com a inserção de estudantes na Rede Escola?

Por fim gostaríamos de manifestar nossa luta em defesa não somente de um ensino de excelência, mas também da consolidação da Rede Escola de Cuidados à Saúde de São Carlos e da estruturação do Sistema Único de Saúde.

Estudantes de Medicina da UFSCar

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