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Feminismos, gêneros e salas de aula

Larissa Pelúcio

A história do 8 de março já é suficientemente conhecida e por isso vou poupar leitoras e leitores que sempre podem recorrer ao Google e acessar interessantes artigo sobre essa história que, arrisco dizer, é uma das mais contundentes e transformadoras de um século já tão convulsionado como foi o passado. Por isso é sempre bom comemorar o 8 de Março, decretado como o Dia Internacional da Mulher (eu acrescentaria um necessário “s” pluralizador ao título) em 1975, pela ONU.

Associado às lutas feministas europeias por sufrágio universal, pela recusa das russas em ver seu país entrar na I Guerra, pelos protestos de operárias norte-americanas, o 8 de Março também marca nossas recentes conquistas nacionais, da Lei Maria da Penha à posse da nova Ministra da Secretaria de Política para Mulheres.

Particularmente, como pesquisadora e professora, gosto de celebrar também as contribuições dos estudos feministas para uma outra forma de fazer ciências, para uma epistemologia mais arejada, crítica, algo iconoclastra que marca a produção dos feminismos até hoje. O 8 de Março é um bom dia para essa celebração que, mesmo sendo diária ainda é extraordinária.

Como ferramenta para desmontar verdades questionáveis, gosto de trazer os aportes da teoria feminista para a sala de aula. Tem dado muito certo! Tem instigado muitos alunos e muitas alunas. Tem gerado profícuas discussões e preciosos trabalhos, dos quais selecionei três para a publicação aqui no Ponto Q. Os ofereço como vieram para mim, com a originalidade e uma certa inocência da escrita de pessoas que estão iniciando suas vidas acadêmicas, mas com a verve de quem se joga, porque se apaixona por uma temática.

Os textos selecionados para comemorar este 8 de Março foram escritos por Giovanna Eleutério Levatti, Lilian Harumi Yamaguchi e Patrícia Toledo. As três são alunas do curso de Psicologia (integral) da Unesp de Bauru, e redigiram estes artigos como trabalhos finais a serem apresentados para a disciplina de Antropologia II, ministrada por mim. Naquele momento, elas cursavam terceiro semestre do curso de cinco anos.

O prazer da descoberta que elas dizem ter tido na imersão para redigir estes textos, corresponde ao meu prazer como docente ao receber trabalhos consistentes, marcados por reflexões ainda iniciais, mas intelectualmente honestas e promissoras.

Quando olho a pilha de trabalhos sobre minha mesa sei que vou encontrar textos fracos, outros copiados da internet, uns brilhantes, alguns tediosos, vou me encher de preguiça e em seguida de entusiasmo, o certo é que sempre haverá naquela pilha, palavras para comemorar!

Feliz 8 de Março para todas e todos!

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Artefatos e Práticas para Construção de Subjetividades Heteronormativas- Lilian Hamuri Yamaguchi

O Aborto e a Política do Corpo_Patricia Toledo

Um Breve Olhar acerca do Movimento Feminista_Giovanna Levatti