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Lançamento de “O desejo da nação” dia 22/11 no Ponto do Livro

“O desejo da nação: masculinidade e branquitude no Brasil de fins do XIX”, de Richard Miskolci,  será lançado no dia 22 de novembro, a partir das 19h, no Ponto do Livro.  A livraria fica próxima ao metrô Sumaré, na Rua Alves Guimarães, 1322, Pinheiros, São Paulo-SP.

Resultado de quase dez anos de pesquisas, o livro explora como um novo discurso sobre o desejo e a sexualidade emergiu em nosso país associado ao projeto nacional que pautou a transição da Monarquia à República, do escravagismo ao regime de trabalho livre implementado em meio à intensa imigração europeia e abandono estatal da população negra, a qual foi “liberta”, mas não indenizada ou absorvida pelo mercado de trabalho em igualdade de condições com os trabalhadores brancos.

A partir de fontes do pensamento social brasileiro e intensa pesquisa nos arquivos no Rio de Janeiro, Miskolci desenvolve seus argumentos por meio da análise de três romances finisseculares: O Ateneu (1888), Bom Crioulo (1895) e Dom Casmurro (1900). O objetivo é reconstituir parte ignorada de nossa história, a dos fantasmas e das fantasias de nossas elites políticas e intelectuais sobre a nação brasileira.

 

Miskolci reconstitui os ideais acionados pelo desejo de criar uma nação “branca”, assim como seus espectros. Coloca em cena, portanto, o medo das elites com relação ao povo e seu erotismo. Em uma época que compreendia o desejo como instinto, nossas elites associavam a sexualidade ao reino da natureza e clamavam por seu controle e moralização visando seu agenciamento em favor do projeto de “branquear” o país. Percebe-se, portanto, que o desejo da nação não era um trivial objetivo político, pois materializou medidas governamentais e de Estado que podem ser compreendidas como uma biopolítica. Além disso, também influenciou os valores e a moralidade vigentes constituindo um regime erótico ideal que deixou marcas na sociedade brasileira atual.

Miskolci articula discussões políticas e econômicas frequentemente vistas como relacionadas apenas a classe e/ou “raça” com íntimas transformações na esfera do erotismo e da sexualidade. Articula, portanto, história pública e privada demonstrando conexões profundas entre esferas frequentemente analisadas como separadas. O desejo da nação explora as relações entre nacionalidade, raça, gênero e sexualidade reconstituindo em termos históricos e analisando sociologicamente como em nosso país foram criadas formas particulares de masculinidade e branquitude.

Partindo do final do XIX, Miskolci termina seu livro com a criação do Serviço Militar Obrigatório em 1916, evento culminante do projeto nacional da República Velha que transformava o projeto biopolítico de criar uma população branca em uma tecnologia de adestramento corporal e subjetivo que via no soldado, o homem disciplinado e preparado para a guerra, o ideal de cidadão. Um ideal que permanecia assombrado pelos desejos homoeróticos criados em contextos de sociabilidade masculina como o exército e as escolas.

Mário Pizzignacco traduziu, em sua foto para a capa, o espectro que acompanhava esse desejo das elites brasileiras da virada do XIX para o XX. É justamente por entre as sombras, os segredos e os silêncios que definiam o discurso autoritário e masculinista sobre a nação brasileira que Richard Miskolci nos conduz em O desejo da nação.

“O desejo da nação: masculinidade e branquitude no Brasil de fins do XIX” já está à venda no site da Annablume.