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10 anos de Quereres

Há dez anos, Richard Miskolci criava o grupo de pesquisa Corpo, Identidades e Subjetivações que viria a se tornar o atual Quereres – Núcleo de Pesquisa em Diferenças, Gênero e Sexualidade. Era agosto de 2004, uma época em que os estudos sobre sexualidade começavam a passar por uma profunda transformação no Brasil.

A partir de suas experiências de pesquisa anteriores, marcadas pela problemática da intersecção nacionalidade, raça e sexualidade e pelo contato com fontes queer durante seu doutorado sanduíche nos EUA no final da década de 1990, Miskolci montou o grupo como um simples espaço de estudos e leituras. Aos poucos, o número de interessados nas reuniões se ampliaria a ponto de congregar estudantes de várias áreas (e não apenas das ciências sociais) em debates animados nas noites de Segunda na UFSCar.

A importância do trabalho desenvolvido neste centro de pesquisas do interior de S. Paulo ficou patente a partir da repercussão das investigações de Miskolci e orientandxs e, ainda mais,  com o impacto do dossiê Sexualidades Disparatadas publicado no volume Quereres da revista “cadernos pagu” em 2007. Foi a primeira compilação de estudos queer publicada no Brasil.

No mesmo ano de 2007, Larissa Pelúcio se doutorava com uma inovadora tese sobre o modelo preventivo de aids na perspectiva das travestis passando a ser a vice-coordenadora do núcleo.

Organizando eventos sobre os desdobramentos do pensamento de Michel Foucault, o legado dos Estudos Culturais, as relações entre corpo e subjetividade até chegar ao Seminário Internacional Sexualidades, Saberes e Direitos em 2010, o núcleo de pesquisa contribuiu para renovar temáticas e abordagens teóricas na esfera dos estudos das diferenças, gênero e sexualidade no Brasil.

Além da pesquisa, o núcleo se comprometeu com a intervenção social e a extensão ao coordenar três edições do Curso Gênero e Diversidade na Escola (GDE), oferecido na modalidade a distância para mais de 2.000 educadorxs brasileirxs entre 2009 e 2014. Também criou material original voltado para a área de educação: os livros “Marcas da Diferença no Ensino Escolar” (2010), “Teoria Queer: um aprendizado pelas diferenças” (2012) e “Diferenças na Educação: outros aprendizados” (2014). Nesse trabalho educativo passou a contar com o apoio de Jorge Leite Júnior, integrado ao núcleo desde sua entrada no Departamento de Sociologia da UFSCar em 2010.

 

Além das pesquisas, eventos e trabalho de extensão, xs coordenadorxs do Quereres também organizam a coleção Annablume Queer, a qual tem publicado desde 2011 obras que exploram temas de fronteira na área de gênero, sexualidade e direitos humanos, com especial atenção às sexualidades dissidentes e que – historicamente – tiveram menor atenção acadêmica e reconhecimento social.

 

Atualmente, a maioria das investigações do núcleo se voltam para as relações mediadas digitalmente e os desafios teóricos, metodológicos e de pesquisa envolvidos nessa nova esfera relacional que – desde fins da década de 1990 – contribuiu decisivamente para transformar o regime de visibilidade das sexualidades na sociedade global, e na brasileira em particular.

 

É com alegria e satisfação pelas conquistas que o Quereres – Núcleo de Pesquisa em Diferenças, Gênero e Sexualidade continua aberto à renovação temática, teórica e política para fazer dos dez anos de existência uma plataforma para empreendimentos mais ambiciosos no futuro.