Nota de repúdio à desocupação da sede da Reitoria

O Departamento de Sociologia contesta a maneira pela qual a Reitoria da Universidade Federal de São Carlos tem lidado com os recentes protestos contra o aumento do R.U., em 122%, e que culminou no cumprimento da ordem de reintegração de posse do edifício da Reitoria. É inadmissível que dentro de uma universidade pública, de tradição democrática, a falta de diálogo e as ameaças de uso da violência estejam, doravante, orientando as decisões da gestão universitária.

Em nota pública emitida pela Reitoria da UFSCar, logo no primeiro momento da ocupação pelos estudantes, como forma de protesto pacífico, a atual gestão desqualifica manifestações legítimas e democráticas. Sem demonstrar qualquer disposição ao diálogo, a Reitoria utiliza argumentos retóricos que apenas expressam sua repulsa às reivindicações, visando instigar a comunidade universitária contra os estudantes, entre os quais boa parte que depende do R.U. para manter-se na UFSCar.

No lugar da negociação, a Reitoria respondeu com ação judicial contra estudantes e com a presença de forças policiais no campus, tendo havido ameaças de uso da violência, conforme documento oficial e vídeo que circula nas redes sociais no momento da reintegração de posse, além de ter transformado em “réus” jovens alunos que não cometeram crime algum. A vida universitária e os conflitos no interior de seu público interno devem ser tratados dentro da própria instituição, considerando que é função da Reitoria e dos Conselhos Universitários administrar internamente as demandas que emergem da comunidade. Os estudantes não são estranhos ou invasores da universidade, ao contrário, são sua razão de existir.

Judicializar a vida interna da Universidade é uma medida autocrática que coloca a cargo de autoridades outras a responsabilidade de administrá-la. Ao tomar esta atitude, a Reitoria atenta contra o princípio constitucional de autonomia administrativa, financeira e didáticocientífica da Universidade. As questões sobre segurança nos campi já foram objeto de deliberação nas instâncias colegiadas, tendo-se decidido que a segurança interna deva ser feita pela guarda patrimonial, dispensando-se a presença cotidiana da Polícia Militar. Utilizar a ameaça de abuso da força policial contra os alunos, além de intolerável como princípio ético, fere o próprio regimento da UFSCar.

Assim, pede-se que: 1) a Reitoria manifeste publicamente o desinteresse de que os estudantes sejam processados pela justiça; 2) cumpram-se as deliberações colegiadas sobre segurança no campus; 3) negocie as reivindicações estudantis, como é esperado de uma gestão que invoca a democracia em seu discurso.

Departamento de Sociologia, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

São Carlos, 16 de maio de 2018

Esta entrada foi publicada em Notícias. Adicione o link permanenteaos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>