Projetos de pesquisa

Projetos Coletivos

Título: Controle social estatal em face da organização do mundo do crime no interior paulista
Status: Em andamento (2012 – ) INCT-InEAC
Resumo: A presente proposta de pesquisa é apresentada no âmbito do Grupo de Estudos sobre Violência e Administração de Conflitos (GEVAC) da Universidade Federal de São Carlos. Neste sentido, o presente projeto de pesquisa toma por objeto de investigação a forma como as instituições e os agentes estatais, especialmente aqueles ligados à prevenção, ao controle e à administração judicial do crime, estão sendo afetados pela emergência disto que nomeamos como sendo a nova organização do mundo do crime, à qual corresponde o fortalecimento de uma nova moralidade, novas formas de administração de conflitos e de relacionamento com agentes estatais. Pergunta-se como os agentes estatais se veem afetados por esta novidade; qual o impacto disto sobre o seu trabalho, sobre os modos de exercer a prevenção, o controle e a administração do crime; quais representações eles elaboram sobre as mudanças nos contextos em que atuam; como eles percebem o contexto em que desenvolvem suas atividades profissionais. A investigação científica será orientada pela hipótese de que esta nova organização do mundo do crime engendra conflitos de dimensões macrossociais, relativos à disputa entre lógicas e moralidades diferentes para administração de conflitos, e institui novas formas, normas e procedimentos de gestão de disputas, as quais adquiriram alta eficácia dentro e fora do mundo do crime.

Título: A filtragem racial na seleção policial de suspeitos: segurança pública e relações raciais
Status: Concluída (2012-2013)
Resumo: O objetivo foi investigar a existência de mecanismos de filtragem racial na atuação das polícias militares de quatro estados – São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Minas Gerais – a partir de três eixos de investigação: i) indicadores da atividade policial e seus resultados sobre os distintos grupos étnico-raciais; ii) compreensão das acusações de racismo institucional na atuação policial formulados pelo associativismo civil e identificação de ações de enfrentamento ao racismo no campo da segurança; iii) compreensão das respostas institucionais das polícias militares para o enfrentamento ao racismo institucional, como punição de abusos, procedimentos de abordagem policial e cursos de formação policial.
A filtragem racial tornou-se evidente na análise dos dados de letalidade policial. A proporção de negros entre mortos por ação policial é três ou quatro vezes maior do que a de brancos, como foi indicado pelos dados quantitativos trabalhados. Quanto mais altas as taxas de letalidade policial, mais elas se concentram sobre a população negra, jovem e dos territórios estigmatizados. Violência policial e racialização são fenômenos sociais correlacionados.
A desigualdade racial no acesso à vida segura também foi constatada pelo predomínio dos negros entre as vítimas de homicídio, o que indica a ausência de políticas de segurança para a população negra, tornando-a mais vulnerável à morte violenta.
A pesquisa analisou casos de discriminação racial na atuação policial e observou as estratégias dos movimentos sociais para levar adiante as denúncias de racismo institucional no campo da segurança pública. De um lado, há a emergência das pautas da juventude negra na esfera pública, denunciando a violência letal contra os jovens negros. De outro, há a denúncia do caráter racista do extermínio promovido por policiais. Contudo, as instituições policiais militares são pouco permeáveis às críticas e propostas dos ativistas.
As respostas das instituições policiais à desigualdade racial no direito à segurança ainda são muito tímidas. A pesquisa classificou os tipos de respostas possíveis e constatou que a preocupação com o tema está presente apenas em iniciativas das escolas de formação. O modelo de policiamento predominante opera ainda uma das faces da racialização das relações sociais no Brasil.
A pesquisa foi financiada pelo Ministério da Justiça-SENASP e PNUD, pelo edital Pensando a Segurança Pública – 2ª edição. A UFSCar liderou uma rede de pesquisa que envolveu os grupos da UFF-Nufep, UnB-Nevis e Fundação João Pinheiro-NESP, agregando 34 pesquisadores. A parceria em rede possibilitou articulação das expertises dos pesquisadores da segurança pública e das relações raciais. O desenvolvimento do projeto incidiu na formação de novos profissionais, mediante o envolvimento dos estudantes de pós-graduação das instituições parceiras, além de repousar numa relação intelectual e de pesquisa intensa entre os líderes dos grupos. Espera-se que os resultados incentivem o aperfeiçoamento das instituições policiais brasileiras e o desenvolvimento de políticas públicas de segurança e igualdade racial, fomentando novas ações de extensão universitária.

Título: Fortalecimento da Justiça Brasileira – Utilização da conciliação e da mediação de conflitos no âmbito do Poder Judiciário
Status: Concluída (2010-2011)
Resumo: No âmbito do Projeto BRA/05/036 Fortalecimento da Justiça Brasileira Utilização da conciliação e da mediação de conflitos no âmbito do Poder Judiciário, coordenado por Roberto Kant de Lima, o GEVAC desenvolve o Subprojeto 5 – Justiça Restaurativa e Mediação Judicial pré-processual: experiências inovadoras de administração de conflitos em comarcas do interior paulista. A pesquisa é financiada pelo Ministério da Justiça. Secretaria da Reforma do Judiciário/ Programas das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil. É uma das atividades ligadas à rede de pesquisa do INCT-InEAC – Instituto de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos.

Título: Redes criminais da droga, política e violência no Brasil: análise do relatório da CPI do Narcotrático
Status: Concluída (2009-2012)
Resumo:
O tratamento de informações reunidas pela Comissão Parlamentar de Inquérito conhecida como CPI do Narcotráfico, concluída pela Câmara dos Deputados em 2000, permite observar o fenômeno do mercado da droga por um prisma pouco explorado por outros estudos. Reunindo informações sobre redes de negócios em 23 estados brasileiros e mais 3 conexões internacionais, a fonte revela um rico acervo de informações sobre o perfil dos indivíduos envolvidos nos negócios da droga, suas formas de organização e as múltiplas formas de articulação possível entre redes de relacionamento locais, regionais, nacionais e transnacionais. O tratamento preliminar dos dados aponta para um questionamento dos significados cristalizados em torno da expressão crime organizado , como se esse fora um tipo sociológico homogêneo; o que a CPI parece oferecer à análise são modalidades diversas de organização, com formas muito distintas de circulação de bens, pessoas e poderes, que se combinam de modo concreto em contextos bem definidos, e que acabam por produzir um mercado pujante. Mercado este que pode ser explorado tanto por redes muito bem organizadas, hierárquicas, que exercem o controle violento do território, quanto por redes mais frouxas que habilmente exploram saberes especializados e profissionais para incrementar e diversificar seus negócios.

Projetos individuais

TítuloViolência e relações raciais: problematizando evidências e interpretações sociológicas. 

Autora: Jacqueline Sinhoretto

Status: Em andamento (2014-1016) Bolsa Produtividade CNPq

Resumo: O projeto de pesquisa se dedica ao estudo da conflitualidade violenta a partir de um recorte no perfil de seus protagonistas: o recorte racial. Pretende-se tanto recolher dados empíricos sobre cor/raça dos protagonistas de conflitos violentos, como verificar de que maneira o tema das diferenças raciais é experimentado pelos protagonistas, como ainda analisar os modos como as relações raciais são interpretadas nos discursos políticos e sociológicos sobre a violência. Procura-se com isto responder a uma lacuna nos estudos violência e relações raciais, levando em conta as narrativas a respeito da relação entre racismo e violência, bem como o associativismo por reformas e ações no campo da justiça criminal e segurança pública.

Título: Encarceramento em massa no Estado de São Paulo: uma análise sobre a expansão do sistema penitenciário paulista
Autor: Felipe Athayde Lins de Melo
Status: Em andamento (2014 -) / Doutorado
Resumo: Este projeto propõe realizar uma análise política que tem como foco os processos de construção da agenda pública do encarceramento paulista, buscando identificar como a coexistência entre propostas de “humanização” do sistema prisional e políticas de endurecimento penal configuram o alicerce da própria expansão deste sistema, se estruturando sobre práticas não-oficiais de cogestão entre Estado e “mundo do crime” na administração das prisões e em mecanismos de reprodução dos aspectos patrimonialistas que marcam profundamente as agendas do Estado brasileiro. Busca-se assim contribuir com o campo de reflexões da sociologia da punição e da violência, articulando tal reflexão com o campo de discussão acerca da formação e das atuação do Estado paulista contemporâneo para a formulação das políticas públicas estatais. Pesquisa financiada pela CAPES.

Título: O controle social estatal em face da nova organização do “mundo do crime”
Autora: Giane Silvestre
Status: Concluída (2012 -) / Doutorado
Resumo: Este projeto toma por objeto de investigação a forma como as instituições e os agentes estatais paulistas, especialmente aqueles ligados ao controle e à administração judicial do crime, estão sendo afetados pela emergência do que nomeamos como sendo a “nova organização do mundo do crime”. Entendemos isto como o fortalecimento de uma nova moralidade, novas formas de administração de conflitos e de relacionamento com agentes estatais. Pergunta-se como os agentes estatais se veem afetados por esta “novidade”, sobretudo com a emergência do Primeiro Comando da Capital, o PCC; qual o impacto disto sobre o seu trabalho, sobre os modos de exercer a prevenção, o controle e a administração do crime; quais representações eles elaboram sobre as mudanças nos contextos em que atuam e como eles percebem o contexto em que desenvolvem suas atividades profissionais. Pesquisa financiada pela FAPESP.

Título: Capitalização do pós-crime pelo turismo e suas implicações sociais – Estudo comparativo referente à Favela Santa Marta e ao Complexo do Alemão
Autor: Helton Luiz Gonçalves Damas
Status: Em andamento (2014-) / Doutorado
Resumo: O presente estudo tem o objetivo de analisar como espaços anteriormente tomados pelo controle armado do tráfico de drogas estão se tornando áreas de desenvolvimento do turismo, fazendo com que essa atividade capitalize por meio de ações que visem à exploração de um suposto “legado do crime” na Favela Santa Marta e no Complexo do Alemão. O pós-crime, termo adotado provisoriamente pelo pesquisador, pode ser analisado como um processo que indica mudanças sociais, reflexões sobre como os altos índices de violência de décadas passadas impactaram as favelas cariocas e quais são os resquícios físicos e simbólicos do crime que vêm sendo explorado pelo “turismo de favela” no Rio de Janeiro. O intenso crescimento desse segmento de turismo na comunidade de Santa Marta nos últimos anos pode ter deflagrado a ocorrência de processos de sujeição e resistência, decorrentes da exploração da atividade turística. Considera-se nesse estudo que o processo de capitalização do pós-crime pelo turismo é regido por uma rede de turismo – formada pelo Ministério do Turismo, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Prefeitura do Rio de Janeiro, Agências de Turismo e os próprios moradores – que juntos tentam produzir uma verdade, a de que o turismo traz desenvolvimento para a favela. Como metodologia, refere-se a um estudo comparativo baseado na pesquisa qualitativa, com obtenção de dados complementares por meio de visitas técnicas e entrevistas semi-estruturadas. Os dados auferidos pelo estudo serão analisados conforme a ótica foucaultiana, vislumbrando assim, possíveis alternativas a serem tomadas em torno da problemática.

Título: A construção de um modelo “alternativo” de administração de conflitos: usos e representações acerca da Justiça Restaurativa no estado de São Paulo
Autora: Juliana Tonche
Status: Em andamento (2011-) / Doutorado
Resumo:

Título: Políticas de Segurança Pública: ciência e gestão na prevenção da criminalidade
Autor: Márcio Bonesso
Status: Concluída (2011-) / Doutorando
Resumo: A pesquisa deseja interpretar as modulações históricas sobre o controle social da criminalidade na cidade de Uberlândia/MG. Planejada no início do século XX por uma tática de governo que imprime uma orientação disciplinar entre: ricos/centro pobres/vilas-diásporas, a partir da década de 1970 com a intensa expansão populacional e multifacetado fluxo migracional a expansão dos bairros em todos os setores fizeram os dispositivos disciplinares serem rompidos e um novo modelo de controle social baseado na governamentalidade (Foucault, 2008) começa a se desenvolver.No início do século XXI esse novo modelo de controle social se consolida com o aumento das taxas de crimes violentos e com a implementação de políticas de segurança pública estadual baseadas nos princípios estatísticos e de georeferenciamento. Adjunto a essas mudanças, é aplicado na cidade um programa sistêmico de políticas de prevenção à criminalidade. Dentre eles, destaca-se o programa Controle de Homicídios Fica Vivo, com objetivo de constituir uma política baseada nos eixos da proteção social e repressão qualificada (Soares, 2006, Sapori, 2007) a partir de redes locais que garanta a população das áreas de risco uma melhor qualidade de vida através do acesso a oficinas de arte, esporte e produção.

Título: Segurança Pública e Relações Raciais: a atuação da Polícia Militar do Estado de São Paulo na seleção de suspeitos
Autora: Maria Carolina de Camargo Schlittler
Status: Concluída (2012-) / Doutorado
Resumo: A pesquisa investiga a existência da prática da filtragem racial nas ações da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP). Para tal, utilizar-se-á dos discursos, práticas e dados da segurança pública estadual para analisar as diversas situações de incriminação que recaem sobre os grupos populacionais segundo características de raça/cor, geração, gênero e território. O objeto será cercado a partir de dados quantitativos e qualitativos, oriundos de diferentes fontes, e que permitam: a) reconhecer como é produzida a identificação de suspeitos pela PMESP e b) verificar os resultados das abordagens e demais ações da PM sobre os grupos populacionais. É ainda um dos objetivos da pesquisa conhecer alguns casos de racismo por parte dos policiais identificados e acompanhados pelo associativismo antirracista, como os casos denunciados têm sido tratados nas instâncias institucionais de apuração e punição de abusos policiais e instâncias de promoção de igualdade racial. Pesquisa financiada pela CAPES.

Título: Necessitados ou perigosos? um estudo da gestão da população de rua no âmbito municipal
Autora: Natália Máximo e Melo
Status: Em andamento (2012-) / Doutorado
Resumo: Este estudo se debruça sobre a gestão municipal da população em situação de rua em São Carlos. De um lado, a presença de pessoas vivendo nas ruas faz com que se tornem visíveis a miséria e exclusão, questões sociais que trazem à tona a necessidade de políticas assistenciais. Por outro lado, essa mesma população é vista como potencial perigo urbano e, sendo assim, é questão de segurança pública. São inúmeras as instituições que lidam com a população de rua, seja pensando-a como questão de “necessitados”, como por exemplo, ONGs, igrejas, sistema de saúde, assistência social, seja como uma questão de “polícia” a ser tratada pelos agentes da Segurança Pública. Portanto, a gestão atuação de ambas passa pela gestão das questões sociais quanto pelo controle da população de rua, com o respaldo do poder municipal.

Título: “Batom na caveira”: um estudo sobre a inserção da mulher na Polícia Militar de São Paulo
Autora: Giulianna Bueno Denari
Status: Concluída (2014-) / Mestrado
Resumo: Este estudo tem como objetivo analisar a inserção das mulheres no quadro de servidores da Polícia Militar do Estado de São, iniciado no ano de 1955. Buscar-se-á resgatar o contexto político e da corporação no momento da admissão de mulheres na PMESP, seu processo histórico e quais os conflitos que esta diferença engendra nas diversas esferas que compõe a instituição, a saber: Escolas de Formação, Unidades de Policiamento (Batalhões e Companhias) e Unidades Administrativas. A pesquisa parte da hipótese de que a incorporação de mulheres no quadro da PMESP está em consonância com o movimento de profissionalização da corporação e da administração do uso de sua violência letal (controle da atividade da PMESP) que, sobretudo a partir do período de redemocratização do Brasil na década de 1980, têm se tornado demandas tanto da sociedade civil, como de setores mais progressivos da PMESP. Para tal será realizada uma pesquisa documental sobre os órgãos gestores da PMESP e entrevistas semiestruturadas com policiais mulheres, praças e oficiais, que atuam na corporação. Portanto, parte considerável da pesquisa será estruturada a partir da análise da trajetória profissional de policiais femininas, de diferentes gerações, verificando assim quais foram os desafios e as moralidades que estas mobilizaram para construir suas carreiras na corporação, e ainda, como estes aspectos foram modificados, ou não, ao longo das sucessivas gerações de mulheres atuando na PMESP. O trabalho de campo será desenvolvido parcialmente na cidade de São Paulo, onde estão sediadas as principais unidades formativas e administrativas da PMESP e também na cidade de São Carlos, interior do estado de São Paulo, onde contatos prévios da pesquisadora e do grupo de estudos que esta pertence, possibilitam a entrada em campo. Pesquisa financiada pela CAPES.

Título: Front de ROTA: Estudo sobre a gestão do crime organizado mediante combate
Autor: Henrique Macedo
Status: Concluída (2013-) / Mestrado
Resumo: Este projeto tem como objetivo entender as práticas da Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar (ROTA) em sua função de controle do “crime organizado”, por meio do estudo de episódios recentes – amplamente anunciados pela mídia – onde houve o confronto entre policiais e sujeitos incriminados (Bairro da Penha na cidade de São Paulo em maio de 2012 e Várzea Paulista – SP, em setembro de 2012). Tais casos protagonizam o que a mídia chamou de “crise na segurança pública”. Analisar a referida corporação e suas práticas por meio destes dois casos contribui para entender as formas pelas quais a ROTA lida com o que é chamado de “crime organizado”.

Título: “Prevenir, Cuida, Reprimir”. Um estudo sobre a gestão dos usuários de crack em São Paulo
Autora: Letícia Canonico de Souza
Status: Concluída (2013 -) / Mestrado
Resumo: O presente projeto se pauta na análise da gestão dos usuários de crack na cidade de São Paulo, tendo como ponto de partida o plano “Crack, é possível vencer” que se constitui em nível nacional e pretende a união de três eixos de ação: Autoridade, Cuidado e Prevenção. Trata, portanto, das formas de atuação de grupos profissionais, representantes de diversas lógicas estatais, diante dos usuários e usos do crack, deslocando o olhar para a gestão praticada por estes, sendo analisada prioritariamente a atuação da Segurança Pública e as relações que são travadas por esta com a Assistência Social e Saúde no contexto de implementação do plano. Com isso espera-se compreender as formas de atuação e conflitos entre diferentes saberes e abordagens diante dos usuários e usos da droga no âmbito do plano de combate ao uso do crack. Para tanto é realizada pesquisa documental e de campo com agentes policiais que atuam no trabalho de gestão do uso e usuários do crack na região que ficou conhecida como “cracolândia”, no centro da cidade de São Paulo. Pesquisa financiada pela CAPES.

Título: As Religiões da Polícia: religião e religiosidade na Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Autor: Luiz V. J. Jácomo
Status: Em andamento (2013-) / Mestrado
Resumo: Esse projeto tem por objetivo investigar a organização dos diferentes grupos religiosos instituídos no interior da Polícia Militar do Estado de São Paulo. A intenção é analisar como se organizam as diferentes associações e agremiações de cunho religioso nesse espaço, a fim de compreender as formas através das quais se constitui a subjetividade dos indivíduos relacionados a esses grupos formalizados, bem como suas concepções e visões de mundo. Para tal, propõe-se realizar uma pesquisa de campo juntamente à corporação e, a partir dos contatos previamente estabelecidos em seus grupos religiosos formalizados, criar uma rede de interlocutores e informantes que possam fornecer dados empíricos que possibilitem entender de que maneira se dá a construção social da religiosidade dentro da corporação policial militar, bem como as práticas e discursos que se originam diretamente dessa dimensão.

Título: Ir aonde o povo esta: etnografia de uma reforma da justiça
Autora: Jacqueline Sinhoretto
Status: Concluída (2002 – 2007) / Doutorado
Resumo: O objeto de estudo é a reforma do sistema de justiça no Brasil, abordada por uma etnografia da criação e implantação dos Centros de Integração e Cidadania – CIC, um programa implantado pelo governo do estado de São Paulo desde 1996, visando melhorar o acesso à justiça para a população pobre e a articulação das instituições de justiça (Polícia Civil, Ministério Público, Poder Judiciário, entre outros). A pesquisa reconstruiu o idéario de criação do CIC como um movimento de reforma da justiça, animado por magistrados e outros operadores jurídicos, no contexto dos movimentos por democracia política e social e universalização dos direitos humanos dos anos 1980. A história do CIC, de suas apropriações, mudanças de rumo, adaptações, deslocamentos e resultados, é uma história de lutas em torno do significado da expansão do Estado de direito – conseqüentemente sobre o que e como reformar ou conservar nos serviços de justiça. A pesquisa interrogou o campo da gestão estatal de conflitos, a partir do que se pode observar no seu alcance capilar, em suas extremidades: para o discurso de criação do CIC, o funcionamento da justiça na periferia transformaria todo o sistema; para a pesquisa tratou-se de uma oportunidade de observar um conjunto de instituições operando no mesmo campo, de observar o sistema de justiça pelas suas franjas, pelos postos de trabalho de pouco prestígio, procurando a microfísica do poder em suas extremidades, interrogando os efeitos concretos do funcionamento dos serviços de justiça. A análise sobre a mediação de conflitos nos diversos serviços de justiça disponíveis nos postos do CIC, sob a perspectiva da interpretação dos rituais de resolução de conflitos, preparou as conclusões da pesquisa sobre a oferta dos serviços de justiça para a população pobre e as dificuldades em democratizá-los. A fragmentação e a pluralidade de rituais de resolução empregados por agentes públicos não reflete a expansão do Estado de direito, pretendida pelo movimento de reforma; reflete antes a concorrência de juridicidades mobilizadas nas relações de poder entre as partes em conflito e delas com os agentes estatais. A liberdade de mobilização de diversos rituais de resolução de conflitos, com diversos resultados, corresponde à pluralidade de relações de poder estabelecidas e visões circulantes sobre o direito; contudo não estabelece garantias jurídicas ou simbólicas de eficácia, minando a eficácia do primado do direito estatal. A tese encerra-se com análise da corporificação dos operadores jurídicos e os rituais de distinção do campo jurídico, buscando demonstrar como eles se inscrevem no corpo, no tempo e no espaço. Link

Título: Da festa à chacina: formas de gestão do crime, da violência e da pobreza em São Carlos/SP
Autor: David E. Marques
Status: Concluída (2012- 2014) / Mestrado
Resumo: A pesquisa questionou instituições estatais relacionadas a gestão do crime e da violência, assim como instituições que contam com a atuação de seus agentes em territórios periféricos da cidades, no sentido de captar suas percepções acerca da reorganização das dinâmicas criminais no estado de São Paulo, evidenciada na virada para os anos 2000, e apontada pela bibliografia especializada. Assim, as questões centrais que mobilizaram a pesquisa são: de que maneira os agentes de instituições estatais (funcionários dos serviços de assistência social municipal, da Polícia Militar e da Polícia Civil) concebem essa reorganização das dinâmicas criminais e, tendo em vista estas concepções, quais suas estratégias de relacionamento com os sujeitos ligados às dinâmicas criminais. Para avançar em relação aos questionamentos, a pesquisa empírica se valeu de entrevistas semi-estruturadas, visitas a equipamentos da administração municipal e análise de material de imprensa. Pesquisa financiada por bolsa de mestrado do CNPq. Link

Título: Quando “o mais profundo é a pele”. Trajetórias de vida de quem viveu na prisão
Autor: Felipe Athayde Lins de Melo
Status: Concluída (2011 – 2013) / Mestrado
Resumo: Partindo da reconstrução de trajetórias de vida de presos e egressos prisionais, esta pesquisa pretende investigar que processos sociais conduzem – ou são conduzidos – por esses indivíduos no momento pós-liberdade. Trata-se, portanto, de estudar as diversas relações e representações que tangenciam as vidas desses egressos prisionais. Para isso, toma-se, por um lado, uma concepção formal – legal e normativa – de reintegração social, que, amparada numa visão ressocializadora da pena de prisão, propõe a realização de ações de tratamento penitenciário como forma de preparação desses indivíduos para a liberdade. Nessa concepção, a reintegração social compõe um binário antagônico com a reincidência criminal, sendo estes os dois pólos opostos da vivência prisional. Por outro lado, parte-se de pesquisas contemporâneas sobre o mundo do crime e a cultura prisional como formas de sociabilidade, questionando aquele antagonismo binário e interseccionando reintegração e reincidência em superfícies de inscrição (Deleuze), onde, como no poema de Paul Valéry, “o mais profundo é a pele”. O estudo, de cunho etnográfico, desenvolver-se-á na perspectiva interacionista, resultando da análise estabelecida a partir do convívio entre sujeitos de pesquisa e pesquisador (que também opera como gestor de políticas penitenciárias), à luz de teorias da sociologia da violência e da punição.

Título: Dias de visita: relações sociais e econômicas tecidas do lado de fora das penitenciárias em Itirapina – SP
Autora: Giane Silvestre
Status: Concluída (2009 – 2011) / Mestrado
Resumo: Estuda as transformações na dinâmica social e econômica do município de Itirapina, no interior de São Paulo, impulsionadas pela implantação de duas unidades prisionais. As unidades foram instaladas em diferentes períodos, a primeira em 1978 e a segunda em 1998, no processo de interiorização do sistema penitenciário ocorrido no Estado. Assim, a cidade convive com dois projetos e dois modelos de prisões e a presença dessas unidades tem provocado fortes mudanças nas relações sociais, econômicas e políticas da cidade. Durante a pesquisa de Iniciação Científica se buscou compreender a visão que moradores, comerciantes locais e agentes penitenciários têm da prisão, dos prisioneiros e da presença de seus familiares nos dias de visita. A proposta de continuidade visou ao refinamento da compreensão deste mesmo processo, cotejando a visão de outros atores envolvidos: os familiares dos presos que se instalam na cidade aos finais de semana para a realização das visitas. Para tanto, foi realizado um trabalho de campo no município de Itirapina junto aos familiares dos presos e a coleta dos dados se deu por meio de etnografia. Após a realização do trabalho de campo, as informações obtidas foram analisadas comparativamente com os dados e análises já levantados pela pesquisa anterior, permitindo assim, um contraponto entre os discursos existentes no mesmo processo. Link

Título: Os justiçadores e a sua justiça: linchamentos, costume e conflitoOs justiçadores e sua justiça
Autora: Jacqueline Sinhoretto
Status: Concluída (1996 – 2001) / Mestrado
Resumo: O trabalho analisa quatro casos de linchamento ocorridos em bairros de periferia degrandes cidades do Estado de São Paulo, na década de 1980, em que se observa aimportância das redes de vizinhança. Os linchamentos são compreendidos comorevoltas populares que permitem perceber as conexões entre formas legais e ilegaisde praticar justiça que podem ser encontradas naqueles bairros. A pesquisa baseiaseem entrevistas realizadas com moradores dos bairros, processos penais einquéritos policiais instaurados para apurar os fatos. Enfocou-se nessa análise aexperiência revelada pelas comunidades estudadas com a justiça, a violência, ajustiça pública e o exercício da justiça através da violência, buscando compreender oseu significado na legitimação das práticas de justiça extra-legal, em especial naforma coletiva. Concluiu-se que, nesses casos, o linchamento é orientado por regrascostumeiras de justiça e relacionamento comunitário, sendo entendido o costumecomo um campo de reapropriação de concepções tradicionais e de reelaboração dasregras formais vigentes. Procurou-se demonstrar como essas ocorrências delinchamento expressam um conflito entre a expectativa desses grupos sociais e ofuncionamento das instituições de justiça, configurando um conflito de legitimidade. Link

Título: Entre o envolvimento no crime e o cumprimento das medidas: uma etnografia dos jovens em medidas socioeducativas da cidade de São Carlos
Autora: Maria Carolina Schlittler
Status: Concluída (2009 – 2011) / Mestrado
Resumo:
O “Salesianos” é uma organização não governamental, com bases na pedagogia católica-cristã de Dom Bosco, localizada na cidade de São Carlos (Estado de São Paulo) e que, entre outros projetos voltados a população das periferias da cidade, executa as medidas socioeducativas em meio aberto aos adolescentes em conflito com a lei da cidade. Nesta dissertação, discorro sobre alguns temas vistos na etnografia que realizei no “Salesianos, onde procurei entender os significados e as relativizações constituídas por meus interlocutores para a experiência do “crime” e do “estar de medida”. Durante o trabalho de campo percebi que os adolescentes interagem com as criminalidades (e com seus atores) de modo flexível e circunstancial, pois é parte constituinte dessa interação o movimento de entrada (s) e saída (s) deles no que eles chamam de “vida do crime”. Dessa forma, foco o “olhar etnográfico” de minha pesquisa nas redes de relações que estes jovens estabelecem com dois grupos de sujeitos que singularizam experiências: a) com a instituição que protagoniza o atendimento aos “adolescentes em conflito com a lei” e b) com os sujeitos que circulam pela chamada “vida no crime”; porque acredito que o caráter flexível e circunstancial dessas relações evidencia a maneira como meus interlocutores se constroem socialmente, tendo em vista a experiência ‘do crime’ e do freqüentar medidas socioeducativas. O trânsito deste atores dentro de tais redes de relações é, portanto, a forma que encontrei para compreender o ponto de vista de meus interlocutores no que se refere à prática de ‘crimes’ e ao fato de terem que freqüentar obrigatoriamente (conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente) as medidas socioeducativas.

Título: As mulheres da Polícia Militar: um debate sobre Segurança Pública e gênero
Autora: Giulianna Bueno Denari
Status: Concluída (2013) / Monografia
Resumo:
Trata-se de um estudo sobre as relações entre as policiais militares e a instituição da Polícia Militar no Brasil. Por meio da análise sobre a figura do “policial herói” e a da “policial heroína” procurou-se entender quais características são atribuídas aos dois profissionais. Para tal, foram abordadas as políticas de Segurança Pública adotadas no período pós-ditadura militar do Brasil, mostrando quais as principais demandas sociais para o policiamento e quais as estratégias de governo foram adotadas a partir de tais demandas.

Título: Um muro, nós merecemos Um estudo dos discursos de segurança e suas resistências em um condomínio paulistano.
Autora: Leticia Canonico de Souza
Status: Concluída (2012) / Monografia
Resumo: Este projeto de pesquisa propôs lançar olhar a um conjunto de prédios localizado na zona Noroeste de São Paulo, onde foi feita, no ano de 2010, uma proposta cunhada: Um muro, nós merecemos , a qual visava o fechamento do espaço apenas aos moradores. Sendo feita uma retomada histórica sobre a formação do espaço urbano na cidade de São Paulo, pôde-se pensar a cidade sendo constituída, dando destaque ao surgimento e expansão dos condomínios fechados. Após esse trabalho se coloca a existência do local no qual foi feita a proposta de fechamento, a qual instiga o questionamento dos seus motivos. Sendo que este não foi planejado para ser fechado, se coloca, portanto, em questão o que faz com que ele comece a se fechar, assim como o modo que chegam lá o medo do crime, o discurso securitário. Entretanto, durante pesquisa de campo, pude encontrar resistências a esse processo, que se tornam interessantes de explorar. Tendo essas resistências como ponto chave no estudo, procura-se preencher uma lacuna nos estudos sobre tal temática. Para isso, foi realizado trabalho de campo no condomínio eleito para estudo onde foi feito contato com moradores e funcionários, assim como consultas aos documentos e periódicos do condomínio, além de contato com redes sociais aonde se encontram discussões sobre o cotidiano do local.

Sobre o GEVAC

O objetivo do GEVAC e o debate e a producao do conhecimento sobre os temas da violencia, suas manifestacoes em contextos especificos; a compreensao dos fenomenos no contexto global de transformacoes sociais; as formas estatais de controle e gestao da violencia; politicas publicas de seguranca e justica;