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Projeto Parceria: Uma breve apresentação


Estudos científicos têm verificado uma alta correlação entre o fenômeno da violência contra a mulher e a violência praticada contra a criança. O Projeto Parceria, financiado pelo CNPq, desenvolve e avalia um programa de intervenção a mães vítimas de violência pelo parceiro, de forma a prevenir problemas comportamentais nos filhos. As participantes do Projeto são mães vítimas de violência por parte do parceiro e seus respectivos filhos de 1-12 anos.
Múltiplas medidas avaliativas são coletadas com as mães. Adicionalmente, a observação da interação mãe-criança é registrada e filmada em quatro situações diferentes no Centro de Atividade Diária na Unidade Saúde-Escola, USE/UFSCar, laboratório que consiste em uma réplica de casa com diversos cômodos com câmaras digitais e espelho unidirecional. O projeto de intervenção individual envolve: a) um componente
psicoterapêutico para analisar o impacto que a violência possa ter causado no desenvolvimento da mulher (a participante recebe um livreto para tal módulo, Projeto Parceria, vol. 1 “Uma vida livre da violência”) e b) um componente educacional (Projeto Parceria, vol. 2 “Educação Positiva de seus filhos”), em que ela aprende sobre manejo não coercitivo do comportamento dos filhos, por meio de discussões, role-playing, modelação e vídeo feedback. O vol. 1 encontra-se disponível para divulgação (download pdf), sendo que o mesmo acontece com o vol. 2 (download pdf) e acontecerá em breve com os respectivos manuais dos aplicadores.
Propor um programa de ensino de habilidades parentais à mulher vitimizada pela violência doméstica não significa, em hipótese alguma, defender que toda a intervenção a ser feita com tal clientela tenha que ser voltada para a intervenção com seus filhos. Pelo contrário, o combate e prevenção da violência contra a mulher necessitam de ações rigorosas que envolvam estratégias comunitárias, mudanças estruturais econômicas, mudanças no sistema legislativo, criação de abrigos para mulheres espancadas, programas educacionais preventivos desde a mais tenra idade e programas específicos de intervenção com a vítima e agressores, sendo que o LAPREV tem diversos projetos ilustrativos dos exemplos acima nomeados.
Portanto, enfatiza-se aqui o ensino de habilidades parentais à mulher vítima de violência não como substituto de ações voltadas para o próprio cessar da violência conjugal. Mas o fato é que, além de a mulher vítima de violência necessitar de apoio para o seu repertório afetivo-emocional como mulher, também necessita de auxílio na área de educação dos filhos. Muitas vezes o que se vê é que os próprios filhos mobilizam tal mulher para uma situação de mudança, saindo de uma posição passiva de vítima para uma posição de pessoa empoderada e capaz de mudar sua história de vida.
Um outro aspecto a ser esclarecido diz respeito ao trabalho exclusivo com as mulheres e não com os parceiros, quando a ênfase sistêmica atual recomenda o envolvimento de todos os membros da família. O proposital não envolvimento do agressor conjugal nesse momento se dá por diversas razões: a) a necessidade de um trabalho de intervenção específico com o agressor no sentido de diminuir seus comportamentos agressivos antes de uma intervenção conjunta com a mulher; b) uma porcentagem considerável das mulheres agredidas encontra-se separada dos parceiros em função da própria violência sofrida; e c) há poucos dados disponíveis, no momento, sobre a relação parental de homens que agridem suas parceiras.


Equipe do Projeto Parceria


Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams, Coordenadora
Daniela Ado Maldonado
Eliane Aparecida Campanha Araújo
Karyne de Souza Augusto Rios
Juliana Caseiro
Ana Carolina de Almeida Patrian
Tânia Daoud Miranda

Fotos

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