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Linhas

De acordo com a formação e a especialização do corpo docente, 3 linhas de pesquisa se colocam dentro da única área de concentração do PPGAS (antropologia social). São elas:

1. Antropologia Urbana

A antropologia urbana consiste numa atividade investigativa que não deixa de remontar às primeiras experiências etnográficas no interior da disciplina, já anteriores ao século XX , notadamente centradas nas metrópoles como marco de amplos processos de urbanização. Hoje busca alcançar um diálogo mais amplo com outras sub-áreas, abarcando significativo leque teórico, metodológico e temático de investigações. Desse modo, o fenômeno urbano é problematizado pelas pesquisas reunidas nesta linha a partir do recorte empírico denominado de “cidade”, mas que não é necessariamente o único. A cidade é tomada não somente como palco de transformações sociais, mas mapa simbólico e condição de possibilidade de fenômenos. Não obstante o fenômeno urbano em si, há expressiva multiplicidade de fluxos entre comunidades, cidades, nações, Estados, loci de grupos e demandas sociais específicas. Por essa via, podemos notar grupos indígenas, comunidades rurais, imigrantes, grupos étnicos que cada vez mais reivindicam seu lugar nos complexos urbanos a partir de um conjunto de práticas políticas. Incluem-se ainda nesse rol de investigações outros fenômenos, tais como os movimentos migratórios, deslocamentos e circulações de capital, bens, pessoas e ideologias, perfazendo a construção de territorialidades, fronteiras e espaços. O diálogo com as outras linhas de pesquisa do Programa é assim pressuposto, tanto do ponto de vista empírico (presença de Estado, conflito, cooperação nas cidades) quanto teórico, dada a importância da etnologia ameríndia para o campo mais amplo da antropologia.Destacam-se ainda na antropologia urbana investigações que envolvem questões relativas à família e parentesco, ao conjunto mais ampliado da socialidade verificada nas várias frações sociais que imprimem ritmos às experiências nos bairros e nas regiões centrais ou periféricas, cujas práticas disputam poderes simbólicos, trazendo a dinâmica de uma sociabilidade de base constitutiva da experiência urbana. Desse modo, grupos de interesses variados, demandas de jovens por estilos e comportamentos musicais, esportivizados, mas também a produção em escala de megaeventos, tão próprios da dinâmica do consumo nas sociedades de massa como esportes, práticas devocionais, enfim, formam a fecunda produção estilizada de modos de vida que delimitam um horizonte de práticas sociais de interesse direto da antropologia urbana, somados aos processos sociais de fabricação da pessoa moderna, da memória, passando ainda por temas como corporalidade, saúde e religiosidade.

2. Estudos Amerindios

A linha de Estudos Ameríndios agrega a este Programa uma área clássica da Antropologia brasileira, a Etnologia Indígena, com um diferencial que a destaca das linhas desenvolvidas na maior parte dos Programas de Pós-Graduação em Antropologia existentes no Brasil, expressando o perfil do nosso quadro docente nessa especialidade. Congrega-se por meio dela pesquisas que descrevem e analisam as relações, os trânsitos e as traduções entre regimes de conhecimento, bem como as políticas indígenas na sua relação com as políticas públicas, culturais e de desenvolvimentoa eles  dirigidas  ou que os afetem. Essa comunicação de saberes se dá na escola, especialmente nos contextos de educação escolar indígenadiferenciada; no atendimento à saúde; nos processos de patrimonialização; e nos que envolvem territorialidade, desenvolvimento e meio ambiente. Saliente-se que o foco em temas emergentes não se faz em prejuízo dos debates clássicos da área, mas em diálogo com os campos do parentesco, cosmologia, xamanismo e ritual. Os professores da área têm larga experiência de pesquisa nas regiões do Brasil Central, da Amazônia Ocidental, Norte Amazônico e no Parque Indígena do Xingu, o que tem possibilitado um exercício comparativo e a formação de estudantes nessas áreas. Os estudantes têm agregado ainda outras regiões etnográficas onde desenvolvem suas pesquisas, com especial atenção às populações indígenas do Sul-Sudeste.

3. Antropologia Política

Esta linha reúne pesquisas que de algumas formas atravessam fenômenos que antropologicamente são entendidos como “políticos”. Em um sentido amplo, trata-se da reflexão sobre a arregimentação e mobilização de elementos dispersos e heterogêneos - forças, práticas discursivas, matérias, símbolos, conceitos, tecnologias, documentos, seres vivos, etc. - que culminam em variadas formações concebidas e vividas como políticas: a democracia representativa, o estado, a cooperação internacional, por exemplo. Trata-se de descrever analiticamente em um nível experimental e etnográfico os modos como se pensam e realizam estas formações, mas também e particularmente  modalidades de problemas levantados em meio a estas experimentações com especial ênfase na descrição de relações que se colocam para o pensamento nativo como envolvendo algum nível de poder, hierarquia, conflito ou violência, bem como na descrição de teorias nativas que se configuram como “teorias políticas”, ou “da política”. Toda uma sorte de pesquisas vem sendo desenvolvida no âmbito desta linha no PPGAS/UFSCar, versando sobre formações familiares, apropriações da burocracia, trocas internacionais, organizações guerreiras, associações indígenas, coletivos criminais. Ainda que muito diversas, elas trazem a si acopladas reflexões teórico-metodológicas que emergem do duplo encontro com os interlocutores em campo e com a literatura que cada objeto de estudo impõe. Destas conexões, problemas comuns apareceram, abrindo franca possibilidade de dialogo entre as diversas pesquisas. Trata-se, por exemplo, de refletir sobre como etnografar eleições sem tomar por suposto um ideal de representação democrática; de pensar os órgãos governamentais sem partir do Estado-uno delineado pela filosofia política; ou ainda de como etnografar relações de cooperação internacional sem pautar a análise pela ideia de um sistema mundial. Democracia, nação, ordem pública, governança global tornam-se, no lugar de atalhos explicativos, os alvos mesmos da descrição etnográfica. O esforço analítico vai além da apreensão da perspectiva nativa, e inclui a comparação entre teorias e problematizações nativas (de origens das mais diversas) e teorias acadêmicas. Estas últimas não mais embasam ou contextualizam as formações políticas etnografadas, mas possibilitam operar contrastes que revelam, a um só tempo, as versões nativas e as versões autorizadas, legitimadas, instituídas sobre o pensamento e a realização do político.