2 girls 1 cuptwo girls one cup2 girls 1 cup2 girls 1 cup

O Laboratório de Estudos e Pesquisas em Antropologia da Criança da Universidade Federal de São Carlos (LEPAC-UFSCar) é coordenado pela Profa. Dra. Clarice Cohn e composto por estudantes de graduação e pós-graduação, contando também com colaboradores. As atividades do laboratório tiveram início em 2009, por ocasião de uma disciplina ministrada no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFSCar, que congregou estudantes desse Programa que desenvolviam suas pesquisas sob orientação da coordenadora, estudantes do PPGAS-UFSCar que compartilhavam esse interesse genérico realizando pesquisas em outros campos, discentes de outros Programas e IES que viram nessa disciplina uma oportunidade para debater suas pesquisas, e estudantes de graduação que realizavam pesquisas com essa temática e acompanharam o curso como ouvintes. Na ocasião, debatemos questões metodológicas e conceituais relativas ao campo da Antropologia da Criança e pesquisas realizadas nessa área no Brasil.


A disciplina teve por continuidade a reunião regular de alunos interessados em debater suas pesquisas e os trabalhos de fim de curso preparados, em sua maior parte a partir de reflexões etnográficas de produção própria, sob coordenação da Professora Clarice Cohn. O laboratório passou então a ser um espaço e debate de reflexão sobre os mais diversos temas e campos de pesquisa, que tinham em comum ter crianças como foco, sujeitos e interlocutores de pesquisa. Temos refletido coletivamente sobre nossos percursos de pesquisa, nossos instrumentos e metodologias, a etnografia com crianças, e comparado campos e experiências.


Os pesquisadores do LEPAC estão engajados em pesquisas em campos diversos da antropologia, com focos diversos e com crianças em circunstâncias e condições diversas. Por exemplo, pesquisas focam crianças indígenas e urbanas, e, dentre essas, crianças que vivem em periferias com grandes necessidades e tidas por insegura ou condomínios fechados; focam crianças em experiências escolares diversas, em escolas indígenas ou não-indígenas, públicas ou privadas, ou crianças em experiências de institucionalização diversas, tais como hospitais; focam, ainda, crianças em instituições de aprendizagem diversas, como escolinhas de futebol ou balé; nas escolas, disciplinas e temas são também múltiplos, nos permitindo um debate frutífero, como por exemplo artes ou educação física; focam crianças em circulação e a experiência da migração e a constituição de laços familiares. Temas pouco tratados quando se fala de crianças têm sido enfrentados em nossas pesquisas, tais como a sexualidade e as experiências sexuais por elas mesmas reportadas, ou a doença e a perspectiva da morte. Concepções de infância envolvidas nesses espaços e operadas por diversos atores e os impactos dessas concepções nos processos que analisamos têm sido também consideradas e debatidas.


Esse vasto campo de pesquisas tem-nos permitido debater temas que abrangem a visão das crianças de sua própria condição de saúde e segurança, de qualidade de vida, da cidade, do espaço urbano, da escola e dos conteúdos que essa instituição busca transmitir a elas, das relações, do corpo, da arte e de sua criação e fruição, e da própria condição de criança. Tem-nos permitido também debater os percursos e os instrumentos de pesquisa que nos tem possibilitado acessar e apreender esses modos diversos de perceber e viver o mundo e a vida, que é o das crianças com que nos relacionamos em nossas pesquisas.
Pesquisas desenvolvidas neste processo foram apresentadas pelo grupo e debatidas no I Seminário de Grupos de Pesquisa sobre crianças e infâncias: Perspectivas Metodológicas, que foi realizado entre 08 a 10 de setembro de 2010 na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).