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Serial Killers

ao longo da história do cinema


Por Michel Wilian Bergamasco




Mas o que é um Serial Killer? A começar pelo nome, o termo Serial Killer começou a ser usado em na década de 1970 por Robert K. Ressler, um agente do FBI. Até então, o termo usado era Stranger Killer ( Assassino Desconhecido ). Acreditava-se que o assassino nunca conhecia suas vítimas, por isso este nome. Ressler observou que em alguns casos o assassino tinha algum tipo de contato com a vítmia e começou a usar o novo termo, que "pegou" rápido.
Mas por quê uma pessoa torna-se Serial Killer? Esta é uma pergunta que vários filmes tentaram responder, porém, sem sucesso. Na verdade não há uma resposta exata e nem a ciência conseguiu definir o que faz uma pessoa a matar deste modo. No entanto há vários estudos sobre isso. Um deles, uma pesquisa feita por psiquiatras norte americanos em 1984 diz que na maioria dos casos, os Serial Killers tem uma doença que psiquiatria chama de DPA ( Distúrbio da Personalidade Anti-social ). A pesquisa apontou que 2,5 % da população sofre deste mal numa proporção oito vezes mais homens do que mulheres. A maior parte destes 2,5 % tem o desvio psicológico no estágio mais baixo, onde são exemplos pessoas que judiam de animais de estimação, chefes que humilham seus subordinados, pessoas que depredam bens públicos, etc. "Cada um de nós conhece alguém com essas características", concorda o neurocientista brasileiro Renato Sabbatini, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No entanto, alguns fatores fazem com que o distúrbio chegue no estágio mais avançado, o que, segundo psiquiatras, é o que pode levar uma pessoa a se tornar um Serial Killer. Esses fatores podem ser uma família mal estruturada, traumas de infância como estupros ou mortes de entes queridos, pais ausentes ou alcoólatras, dificuldades financeiras, etc.
Outra pergunta que se tenta responder é causa do DPA. Vários cientistas divergem sobre este assunto. Alguns afirmam que é uma má formação do cérebro na parte responsável pelos distúrbios da personalidade ( sistema límbico ) e outros acham que é genético. Na verdade, ainda não há uma certeza sobre o que causa o DPA e também não há cura.
Na maior partes dos casos, um Serial Killer tem algumas características comuns. É um outro fator que é muito bem explorado pelos filmes que tratam do gênero. Algumas delas são: aparentemente parecem ser uma pessoa normal na sociedade, escolhem suas vítimas de acordo com algo em comum entre elas, que pode ser idade, religião, cor da pele, etnia, etc. Geralmente não usam armas de fogo, a morte quase sempre é preparada, para o Serial Killer é como se fosse um culto. Matam seguindo mais ou menos o mesmo espaço de tempo entre uma vítima e outra.
Com todas essas características e com esse desvio psicológico que não se sabe como acontece, os casos com Serial Killers sempre chamaram a atenção. A partir da década de 1950, houve uma grande onda de Assassinos em Série nos Estados Unidos que aterrorizou a população, pois a mídia da época explorava muito esses casos. A televisão era recém inventada e por isso as notícias chegavam mais rapidamente às pessoas. Por exemplo: Um Serial que matava dez pessoas no interior do Texas ficava conhecido no país inteiro e por isso a população entrava em pânico.
E foi a partir daí que o cinema começou a explorar este gênero. Hollyhood já estava muito comercial na época e o caráter capitalista, que sempre visa o lucro, fazia o que agradava a população. O cinema imitava a vida real para ganhar audiência.
O primeiro filme que usou um desvio psicológico como fator para matar e fez um grande sucesso foi Psicose de 1960, o filme de Alfred Hitchcock mostrava a história de um jovem de meia idade, chamado Norman Bates (Anthony Perkins), que após perder o pai, se apegou muito a mãe. Quando ela encontrou um novo marido, Norman sentiu que ia perder a mãe, e a matou junto com o padrasto. Depois, ele a empanou e a manteve dentro da casa como se ela estivesse viva. Aos poucos ele foi aderindo a personalidade dela e logo mais, começou a matar as mulheres que lhe causavam atração, como se fosse a mãe protetora defendendo o filho. O filme foi um grande sucesso na época e teve uma cena ficou famosa, que é o assassinato de Marion Crane (Janet Leigh) no banheiro enquanto tomava banho. Destaque para a trilha desta cena, composta por Bernard Herrmann e que é muito boa, aumentando o suspense da ação. Outro destaque deste filme é a sua fotografia, que ficou por conta de John L. Russell. O filme ainda recebeu algumas críticas na cena final em que um psiquiatra explica o que se passava na mente do Serial Killer, pois parece querer dizer que sem essa explicação o público não entenderia o filme. Além disso, o filme ganhou duas continuações, que são bem inferiores ao primeiro.
Já na década de 1970, Serial Killers continuaram a ser explorados, mas de uma forma diferente, no gênero terror e de uma maneira muito "trash". Em 1973, o filme Massacre da Serra Elétrica, de Tobe Hooper alcançou algum sucesso. Ele contava a história de uma família de beira de estrada que recebia viajantes que passavam por ali para almoçar. Depois, eles o matavam e moiam o corpo para fazer comida. Neste filme não importava muito a exploração de um desvio psicológico e sim ter muito sangue, pois levava muitas pessoas ao cinema.
Não importando muito o gênero, filmes como estes, sempre buscaram inspiração na vida real. É o caso destes dois filmes citados, tanto Psicose, como Massacre da Serra Elétrica foram inspirados em casos reais, aliás, o mesmo caso, que é o do fazendeiro Ed Gein, que além de perder o pai muito cedo, tinha uma mãe que o explorava no trabalho, proibia o contato dele com mulheres e ainda era lésbica. Depois que ela morreu, Ed, assim como em Psicose e Massacre da Serra Elétrica, empanou sua mãe e a guardou no quarto, de vez em quando, ele se masturbava em cima dela. Logo depois, ele começou a matar mulheres que achava parecida fisicamente com sua mãe e tirava a pele destas para fazer roupa.
Ainda na década de 1970, mais precisamente em 1978, outro filme de Serial Killer, porém no gênero de terror, foi bem nas bilheterias. É o Halloween, de John Carpenter, que foi o primeiro a mostrar assassinos mascarados. Neste filme, Michael Myers (Serial Killer) escapa da clínica onde se tratava pelo assassinato de sua irmã. Volta para sua cidade natal e começa novamente a matar. Devido o sucesso, o filme ganhou várias seqüências, a mais recente em 1998, com o título de Halloween H20.
Entrando na década de 1980, o gênero terror "trash" continuou lotando cinemas, mas temos algumas "pérolas" que dão mais destaque ao distúrbio psicológico do que aos banhos de sangue. Falando primeiro dos filmes de terror, em 1981 começou a famosa série de Sexta-feira 13. O filme é baseado em uma história real, mas aderiu a linha de filmes onde o que importa é o número de mortes. Segundo a história real, Jason Voorhees era uma criança normal, a não ser pelo fato de ter o rosto deformado. Aos 11 anos morreu afogado no Acampamento de Crystal Lake. Sua mãe acusou o monitores de negligência por seu filho ser deformado, segundo dizem por lá, os monitores estavam transando na hora em que Jason se afogava. No primeiro filme é a mãe de Jason, que depois de 20 anos retorna ao acampamento e começa a se vingar. Já na segunda, Jason resucita e começa a matar. A partir daí, devido o sucesso, histórias fictícias são inventadas e Jason ressuscita a cada filme para matar. O filme teve 9 partes na década de 1980 e 1990 e ganhou a décima parte em 2001, que tem o título de Jason X.
Com o sucesso de Sexta-feira 13, outros filmes deste gênero fizeram sucesso na mesma década de 1980, o mais famoso foi A hora do Pesadelo, que teve várias partes, sendo a primeira em 1984 dirigida por Wes Craven. Neste filme, Freddy Krueger se manifestava nos sonhos, mais precisamente nos pesadelos dos jovens, os matando. Além de A hora do Pesadelo, outros filmes esbanjaram sangue nos cinemas por aí, é o caso de Natal Sangrento, Shocker-100.000 voltz de Terror e Henry.
Mais ainda na década de 1980, há bons filmes que abordaram mais o aspecto psicológico do Serial Killer. É o caso de O iluminado, de 1980, que é dirigido por um dos mestres do cinema, Stanley Kubrick. O filme mostra um escritor alucinado, muito bem interpretado por Jack Nicholson, que enlouquece e ameaça a própria família.
Em 1984, outro filme que explora muito o aspecto psicológico como motivo para assassinato foi Vestida para matar, de Brian de Palma. O filme mostra o psiquiatra transexual Robert Elliot (Michael Caine), vestindo-se de mulher a noite, e matando as pacientes que durante o dia causaram excitação no seu lado masculino. O filme é rico em suspense, fato a ser notado na única cena de assassinato que o filme mostra. A mulher, sai do apartamento e já se vê que alguém a está espiando de forma subjetiva. Ao andar até o elevador, mostra-se o rosto do Serial Killer Robert Elliot (já vestido de mulher) a vendo. Ela entra no elevador sozinha e começa a descer, a tensão aumenta, a qualquer momento parece que a porta do elevador vai abrir e ela ser atacada. Não demora muito e a porta abre, mas quem entra é uma mãe e uma criança. Neste momento, dá uma sensação de alívio ao telespectador, que pensa: "Ufa! Ela escapou!". Engano, logo mais a mãe e a criança saem e ela fica novamente sozinha e ainda lembra que esqueceu a aliança no apartamento que estava. Ela sobe com o elevador e quando ele para, a porta se abre e de repente aparece o personagem de Michael Caine, vestido de mulher e com uma faca na mão. Ele entra no elevador, a porta se fecha, enquanto descem, ele a esfaqueia com vários golpes. A porta se abre lá embaixo e há um casal parado para entrar, ao verem a mulher esfaqueada, o homem corre, a mulher 2 fica pasma e tenta ajudar a outra. Ela consegue ver o reflexo do assassino pelo espelho do elevador, pois ele ainda está lá dentro escondido atrás da porta. Ela se assusta, o assassino aproveita o momento para fugir, mas antes larga a faca usada no crime. A mulher 2 a pega na mão e é surpreendida por uma empregada do prédio, que grita. Toda a seqüência tem um show de cortes e dramacidade, realmente passa uma sensação de suspense. De fato é um ótimo filme de Brian de Palma, que como fã de Hitchkoc, inspirou-se em Psicose, para criar o desvio psicológico de seu personagem.
A década de 1990 começou com tudo em termos de filme que abordam problemas psicológicos. Em 1991, o diretor Jonathan Demme um dos melhores filmes do gênero, O Silêncio dos Inocentes. A começar pelo elenco, que traz Anthony Hopkins e Jodie Foster em ótimas atuações. O filme conta a história de uma jovem agente do FBI, Clarice Starling (Foster), que é ajudada por um Serial Killer que já está preso, o doutor Hannibal Lecter (Hopkins), mais conhecido como Canibal, a prender um outro Serial Killer que está na ativa, Buffalo Bill (Ted Levine). Foi o primeiro filme que tratá de Serial Killer que ganhou o Oscar de Melhor Filme, além disso, ganhou mais 4 Oscars, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado. E ainda foi indicado a mais duas categorias, Melhor Som e Melhor Edição. O filme ganhou uma continuação em 2001, Hannibal, que foi bem nas bilheterias, mas nem tanto nas críticas. O filme abusa um pouco do gênero e torna-se bem mais sangrento que o primeiro, que quase não mostra cenas de morte. A seqüência também perdeu no elenco, pois a atriz Jodie Foster não topou fazer a continuação por não concordar com o rumo dado ao seu personagem. Até o diretor de O Silêncio dos Inocentes, Jonathan Demme, preferiu se afastar desta continuação, por considera-la muito violenta.
Já em 1994, um outro filme mostando assassinos psicopatas foi bem sucedido. Assassinos por Natureza, de Oliver Stone. Para quem achava que Oliver Stone só sabia fazer filmes sobre o Vietnã. Este é um bom filme de Serial Killers. Aliás, é totalmente diferente dos outros. Possui uma linguagem ousada e se utiliza de película, super-8, betacam e até desenhos animados para tentar explicar como funciona a cabeça de um Serial Killer. Mickey (Woody Harrelson) e Mallory (Juliette Lewis) matam aproximadamente 50 pessoas neste filme.
Em 1995, um outro filme sobre Serial Killer fez um grande sucesso e foi muito bem nas bilheterias, Seven impressionou a todos pelo seu roteiro, que surpreende no final. Com um bom elenco, que conta com Brad Pitt (Detetive David Mills), Morgam Freeman (Detetive William Somerset) e Gwyneth Paltrow (Tracy Mills) em começo de carreira. O filme conta a história de um Serial Killer que mata as pessoas de acordo com os sete pecados capitais e que é interpretado por Kevin Spacey. Durante todo o filme o Serial Killer toma conta do "jogo", deixando os policiais Mills e Somerset "loucos". O filme tem um final impressionante, fator pelo qual foi elogiado, onde o Serial, depois de já ter matado 5 pessoas, se entrega e diz que já tem os dois corpos que faltam para completar sua seita, que seriam o da ira e o da inveja, mortos em lugar em que só ele sabia. Ele lava os dois detetives até o local onde estariam os corpos, mas quando chegam lá, a principio não há nada, até que chega uma encomenda ao Detetive Mills, que quando aberta, se revela a cabeça de sua mulher Tracy, que evidentemente está morta. Neste momento, o Serial Killer se revela ser a inveja, pois tem inveja da vida do detetive Mills e afirma que matou a mulher de Mills para que ela assumisse a ira. Sendo assim, Mills fica em dúvida, pois se matar o Serial, assumirá ser a Ira e fará com que ele ganhe o "jogo", mas se não mata-lo, perderá sua honra, pois não vingou a morte de sua mulher. Como se era esperado, ele não aguenta e não cede aos pedidos de seu parceiro Somerset, e mata o Serial Killer. Terminado assim o filme.
Foi essa grande distorcida no roteiro que fez com que o filme alcançasse tamanho sucesso, porém o filme também tem outros fatores importantes. A edição é muito bem feita em termos de closes, cortes, ângulos, etc. Principalmente na cena final, que foi descrita acima, o que rendeu ao filme, indicação para o Oscar de Melhor Edição. Uma outra característica deste clássico do gênero, é o fato do nome do ator Kevin Spasey não aparecer nos créditos junto com os outros atores no começo do filme. A preocupação em manter o telespectador em dúvida sobre que é o assassino a maior parte do tempo, fez com que a produção do filme tomasse essa decisão, pois se o seu nome estivesse aparecido no começo, todos já o associariam ao Serial Killer. Tanto é, que logo que o filme acaba, a tela fica em Fade Out e aparece o nome de Kevin Spacey no centro. Aí sim vem os outros nomes do "casting".
Com certeza, Seven e O Silêncio dos Inocentes são os maiores filmes que abordam Serial Killer. Mas ainda houve outros filmes sobre esse tema até hoje. Continuando a ordem cronológica, a partir de 1996, houve uma volta dos filmes de caráter "trash", só que agora de uma maneira mais amena, com uma linguagem adaptada para os anos 90, do que foi sucesso na década de 1980. Os assassinos continuaram a ser mascarados, os banhos de sangue voltaram a aparecer e os roteiros não melhoraram nada, porém, agradou essa nova geração de adolescentes, que lotou cinemas para ver filmes tipo Pânico, Eu sei o que vocês fizeram no verão passado, etc. Que assim como seus antepassados (Sexta-feira 13, A hora do Pesadelo, etc.), ganharam seqüências, que também foram sucessos.
Depois dessa nova onde de filmes de terror, houve outros filmes que abordaram mais o lado psicológico, mas sem o grande sucesso de Seven ou de O Silêncio dos Inocentes. Nem grandes elencos ajudaram, por exemplo, um filme de 1998, com Christopher Lambert, chamado Ressurreição. O filme é parecido com o Seven, mas ao invés de o Serial Killer matar de acordo com os sete pecados capitais, ele quer ressuscitar Cristo e mata pessoas que tem 33 anos, nome da apóstolos, e de cada um, ele tira um pedaço do corpo para fazer a construção de Cristo. As cenas de ação são parecidas com Seven, e as mortes também, porém, talvez devido ao final, que muito inferior ao de Seven, o filme não foi bem.
Outro filme que também abordou distúrbios mentais e não foi tão bem, foi O Colecionador de Ossos, de 2000, que tem um bom elenco, com Angelina Jolie e Denzel Washington, mas com um roteiro que não agradou muito ao público.
De um modo geral, filmes sobre Serial Killer, possuem histórias baseadas em fatos reais, ou muito fictícias, que vão causar algum tipo de reação ao público. Este gênero vai continuar existindo até porque filmes do tipo agrada o público, que se identifica cada vez mais com o assunto, pois o números de casos de Serial Killers aumenta a cada ano. E sempre serão "prato cheio" para roteiristas inventaram e criarem em cima desses fatos reais.