MARTINEZ, C.M.S, Atividades
e brincadeiras na vida da criança com problemas no desenvolvimento no início dos anos
90; a visão dos pais. São Carlos: UFSCar, 1992, 150 p. Dissertação.
Diante
da constatação da importância do processo de estimulação para as crianças com
problemas no desenvolvimento e do fato de se conhecer como vem ocorrendo a sua rotina de
vida diária e os valores que seus pais empregam atualmente nas práticas educativas, o
presente estudo teve como objetivo: trazer informações acerca da vida destas crianças,
de acordo com a visão de seus pais. Para tanto elaborou-se e testou-se um roteiro de
entrevista semi-estruturado ( Estudo 1 ) a ser aplicado à pais e mães de crianças com
alterações no desenvolvimento. O Estudo 2, constou da efetivação de 24 entrevistadores
com os pais de crianças que freqüentavam os tratamentos de fisioterapia, terapia
ocupacional e fonoaudiologia em uma instituição pública do município de São Carlos.
Esta população pertence ao nível sócio-econômico médio-baixo e baixo cujo grau de
instrução é predominantemente o " curso primário incompleto" . A análise
qualitativa dos resultados mostrou que: 1) as crianças dentro da realidade estudada
estão sendo " acolhidas" por seus pais e há grande mobilização das famílias
para prover estimulação à ela; 2) Verifica-se que há por parte desses pais,
alterações substanciais na rotina diária e nos seus valores em função do problema do
filho; 3) Cabe às mães a tarefa de acompanhar as atividades de tratamento e escola da
criança com problemas e julgam que ambos têm trazido benefícios ao desenvolvimento e
evolução do filho; 4) Pode-se constatar que, para essas famílias, os profissionais que
atuam com a criança detêm o conhecimento e as instruções de como agir "
adequadamente" com a criança. 5) Quanto às mães que ficam preocupadas em estimular
adequadamente, comprando brinquedos especiais ou mesmo intensificando as possibilidades de
contato. Além disso, foi possível que a companhia nas brincadeiras fica restrita na
maioria das vezes aos adultos (em especial aos pais) havendo pouco contato com crianças
de faixa etária próxima. Os locais de brincar são limitados, restringindo-se ao
interior da casa e suas dependências. As oportunidades de interação são restritas (no
brincar e nas atividades) devido aos problemas que a criança apresenta.