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Resumos de teses e dissertações

SOARES, L.B.T. Terapia Ocupacional: lógica do capital ou do trabalho? – Retrospectiva histórica da profissão no Estado brasileiro de 1950 a 1980. São Carlos: UFSCar, 1987, 243 p. Dissertação

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RESUMO

  

   A presente dissertação se propõe a enfocar uma dada profissão – a terapia ocupacional – emergente no bojo da divisão social do trabalho em saúde no início deste século nos países centrais e que teve sua implantação no Brasil na década de 50 vinculada à reabilitação de incapacitados físicos e pacientes psiquiátricos crônicos.A aplicação do trabalho, da recreação e dos exercícios como forma de tratamento e entretenimento para as pessoas doentes tem sido referida na historiografia médica desde os primórdios da civilização. No entanto, é somente neste século que o emprego da atividade humana, da ocupação, foi se sistematizando e tornando-se autônoma separada da prática médica, constituindo-se num conjunto ocupacional específico.As literaturas de reabilitação e da terapia ocupacional (Hopkins, 1983, Macdonald, 1972, Reed, 1980) , ao relatarem o processo de constituição profissional nos países centrais, justificam o surgimento da profissão – terapia ocupacional – devido aos incapacitados da I e II Guerras Mundiais e ao avanço do conhecimento sobre as práticas médicas. De outro lado, os autores brasileiros que tratam do tema (Arruda, 1962, Cerqueira, 1967, Gonçalves, 1964, Lemos, 1985) associam o surgimento e expansão de técnicos em reabilitação no Brasil – fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, aos surtos de poliomielite, aos acidentes de trabalho e às doenças mentais. Em ambos os casos a demanda social específica é apontada como geradora das profissões: nos Estados Unidos da América, pela incapacidade física dos veteranos de guerra e, no Brasil, pela incapacidade infantil. Todavia não são analisados a estrutura econômica da sociedade, o sistema de atendimento de saúde, as necessidades de saúde da população e o movimento da sociedade que garantiram uma forte expansão e estruturação profissional da categoria na América do Norte e o lento e irregular crescimento da terapia ocupacional no Brasil. Ou seja, a constituição histórica é factual, quase independente e autônoma do movimento da sociedade e de suas contradições.A demanda social diferenciada, a difusão do conhecimento técnico-científico seriam os únicos fatores que explicariam o "insucesso" profissional brasileiro?No entanto, ao se resgatar o processo histórico da profissão no Brasil verificou-se que a crise de eficácia do programa terapêutico ocupacional neste país expressa na falta de colocação profissional do reabilitado, na cronificação de pacientes em internação prolongada pela função política, econômica e ideológica desempenhada por esta prática social no interior das instituições sociais do Estado brasileiro. Portanto deve-se buscar a reorientação desta prática profissional redescobrindo as necessidades sociais que com e por ela possam ser atendidas no processo de desvelamento ideológico, de transformação das práticas institucionais e de construção de uma nova sociedade.

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