1. INTRODUÇÃO

    Segundo o International Biological Programe (IBP) o termo macrófitas aquáticas constitui uma designação geral para os vegetais que habitam desde brejos até ambientes totalmente submersos, sendo esta terminologia baseada no contexto ecológico, independentemente, em primeira instância, de aspectos taxonômicos (ESTEVES, 1998).

    As macrófitas aquáticas constituem, em sua grande maioria, vegetais superiores que retornaram ao ambiente aquático. Dessa forma, apresentam ainda algumas características de vegetais terrestres e grande capacidade de adaptação a diferentes tipos de ambientes (ESTEVES, 1998). Dada a sua heterogeneidade filogenética, são geralmente classificadas segundo seu biótipo no ambiente aquático, nos seguintes grupos ecológicos:

a. Macrófitas aquáticas emersas: enraizadas, porém com folhas fora d'água. Ex: Eleocharis sp, Typha domingensis.

b. Macrófitas aquáticas com folhas flutuantes: enraizadas e com folhas flutuando na superfície da água. Ex: Nymphaea sp, Nymphoides sp.

c. Macrófitas aquáticas submersas enraizadas: enraizadas, crescendo totalmente submersas na água. Ex:Egeria densa, Mayaca sp.

d. Macrófitas aquáticas submersas livres: permanecem flutuando submergidas na água. Geralmente prendem-se a pecíolos e caules de outras macrófitas. Ex:Utricularia sp.

e. Macrófitas aquáticas flutuantes: flutuam na superfície da água. Ex: Pistia stratiotes, Eichhornia sp.

    Até a década de 50, acreditava-se que as macrófitas aquáticas desempenhavam um papel pouco relevante na dinâmica dos ecossistemas lacustres, sendo seu estudo muito negligenciado no âmbito das pesquisas limnológicas (MENEZES, 1984).

    Atualmente, pesquisas sobre o papel funcional desempenhado pela comunidade de macrófitas aquáticas no metabolismo de ecossistemas límnicos ressaltam a grande importância deste compartimento, capaz de estabelecer um forte intercâmbio entre o ecossistema aquático e o ambiente terrestre adjacente (LUCIANO, 1996). Diversos estudos sobre macrófitas aquáticas enfatizam sua elevada produtividade e importância na ciclagem de nutrientes (NOGUEIRA, 1989).

    O grande número de nichos ecológicos e a vasta diversidade de espécies animais observadas nas regiões litorâneas pode ser atribuída principalmente à alta produtividade das macrófitas aquáticas encontradas nestas regiões que muitas vezes são consideradas as principais responsáveis pela produtividade biológica do sistema como um todo (ESTEVES, 1998). GODOY (1954, apud COUTINHO, 1989), mostrando a importância ecológica das regiões litorâneas, ressalta que muitos peixes do rio dependem das lagoas marginais em diferentes aspectos e fases de seus ciclos de vida.

    Entre os diversos papéis desempenhados pelas macrófitas aquáticas podem ser citados:

    A liberação de nutrientes através do chamado efeito de "bombeamento" - que constitui na absorção de nutrientes das partes profundas do sedimento e sua posterior liberação na coluna d'água por excreção ou durante sua decomposição;

    A função de hospedeiras para associações com algas perifíticas e bactérias fixadoras de nitrogênio (ESTEVES, 1998).

    O fornecimento de habitats diversificados e abrigo para larvas de peixes além de suas partes submersas servirem de receptáculo para ovos de diversas espécies (NOTARE, 1992), ampliando assim a disponibilidade de nichos a serem utilizados por estes (LUCIANO, 1996). Suas raízes também atuam como local de proliferação de microorganismos importantes na alimentação dos mesmos (LORENZI e SOUSA, 1999). Fornecem ainda locais sombreados para abrigo de formas sensíveis às altas intensidades de radiação solar.

    Importante papel trófico por servirem como fonte de alimento para algumas espécies de aves e mamíferos aquáticos; GAEVSKAYA (1969) e ESTEVES (1979) citam os altos conteúdos de proteínas e carboidratos solúveis presentes em sua reduzida fração de parede celular (CAMARGO, 1984), sendo que em regiões tropicais, onde as altas temperaturas aceleram o processo da decomposição, as macrófitas aquáticas podem ser os mais importantes fornecedores de matéria orgânica para a cadeia detritívora (LUCIANO, 1996).

    Papel bioindicador tanto do estágio sucessional do ecossistema aquático (por exemplo, a presença de "taboa" (Typha domingensis), é indicativa da presença de solo úmido ou pantanoso) quanto do estado trófico do sistema, como por exemplo as espécies Eichhornia crassipes e Pistia stratiotes que são indicadoras de eutrofização, isto é, de enriquecimento por nutrientes.

    Estas espécies, por requererem altas concentrações de nutrientes, vêm sendo utilizadas com sucesso na recuperação de rios e lagos poluídos pois suas raízes formam uma densa rede capaz de reter até as mais finas partículas em suspensão, além de absorverem substâncias tóxicas provenientes do despejo industrial e doméstico (NOTARE, 1992).

    Dessa forma, as macrófitas aquáticas mostram-se tão intimamente relacionadas ao metabolismo dos ecossistemas límnicos que a preocupação com sua preservação torna-se ferramenta de importância fundamental para a manutenção da biodiversidade de ambientes aquáticos.

    Torna-se evidente a importância das áreas alagáveis, que ocorrem em todo o mundo e em diferentes climas. Inúmeros estudos têm enfatizado a elevada produtividade das plantas aquáticas nesses ambientes e sua importância na ciclagem de nutrientes (NOGUEIRA, 1989).

    No Brasil, a maioria dos lagos são relativamente rasos, possibilitando a formação de extensas regiões litorâneas, áreas amplamente dominadas por macrófitas (ESTEVES, 1998). Tais regiões, consideradas as principais responsáveis pela produtividade biológica dos sistemas, são extremamente vulneráveis aos impactos antropogênicos especialmente aqueles ocasionados por diferentes tipos de poluição e pela turbidez oriunda da erosão dos solos. Dentre as inúmeras espécies de macrófitas com ocorrência nas águas continentais brasileiras, muitas são excelentes bioindicadores.

    Neste contexto, o conhecimento sobre a biologia e ecologia das macrófitas assim como a importância de sua preservação são hoje prioritários para a manutenção da "saúde" e do funcionamento dos ecossistemas aquáticos.

    A Educação Ambiental é um instrumento importante visto que entre seus objetivos estão: preparar o indivíduo para interagir criticamente com seu semelhante e com o meio, questionando a sociedade e transformando sua visão de mundo de forma a melhorar sua qualidade de vida (PERES e MENDONÇA, 1991 apud FERREIRA, 1999).

    Segundo BARBOSA & GUERRA (1996 apud FERREIRA, 1999), através de programas de Educação Ambiental é possível direcionar os indivíduos para a conscientização, aproximando-os do meio em que vivem, visto que o indivíduo que não se reconhece como parte do ambiente em que está inserido, não entende que suas ações o modificam interferindo em sua própria vida.

    É importante que este conhecimento seja levado à população, preferencialmente de forma simples e atraente para que possa despertar o seu interesse.

    É também importante concretizar a idéia de que as crianças possam encontrar estas informações no próprio ambiente escolar, e de alguma forma relacionadas a seu material didático. Tendo em vista a relativa escassez de material escolar relacionado à flora aquática das diferentes regiões brasileiras, o presente trabalho focaliza as macrófitas aquáticas de dois importantes sistemas hídricos brasileiros, o Rio Tietê com sua cascata de reservatórios em São Paulo, e o sistema de lagos naturais do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais.

    Levando-se em conta a atual importância da INTERNET como instrumento que possibilita ampla divulgação de dados e informações, o trabalho também conta com a elaboração de sites onde todo o material produzido estará disponível para ser acessado, juntamente com informações e entretenimento infantil. Os sites estão sendo criados dentro da página elaborada para o projeto PROBIO (Programa de Biodiversidade - MMA. Sub-projeto: Fragmentação natural e artificial de rios - Comparação entre os lagos do médio Rio Doce (MG) e as represas do médio e baixo Tietê (SP).), vinculada à página da UFSCar, no endereço: www.ufscar.br/~probio.

    A inventariação das espécies observadas nas lagoas e represas dessas regiões assim como a produção de materiais que possam informar e familiarizar a população local sobre a ocorrência desses vegetais e sua importância ecológica procura fornecer uma contribuição não somente na tentativa de ampliar o conhecimento sobre a ecologia de lagoas e áreas alagáveis, que são muito comuns nessas regiões, mas também uma contribuição para planos de preservação que estejam sendo desenvolvidos, ou que pretendam ser desenvolvidos em trabalhos futuros.

PÁGINA ANTERIOR PÁGINA INICIAL PRÓXIMA PÁGINA