O Papel dos Bioensáios Ecotoxicológico e Indicadores Histológicos na Avaliação da Qualidade Ambiental



Segundo ODUM (1983) e MELETTI (1997), os ecossistemas naturais exibem notável resistência ou elasticidade a perturbações periódicas ou agudas, porque estão naturalmente adaptadas a elas, como é o caso dos pulsos, mas no caso de uma perturbação crônica, com elevadas cargas de produtos sintéticos tóxicos diários, os efeitos podem ser pronunciados e prolongados uma vez que os organismos não possuem um período evolutivo de adaptação. A menos que os resíduos tóxicos sejam reduzidos ou isolados de alguma forma dos sistemas globais de manutenção de vida, estes, ameaçarão diretamente a saúde e constituirão um fator limitante para a humanidade.

Atualmente, tem sido identificado um número aproximado de quatro milhões de produtos químicos sintéticos. Mais de 60.000 destes produtos são usados diariamente na forma de combustível, solventes industriais, drogas, pesticidas, fertilizantes etc. Além disso, a cada ano são acrescentados em torno de 500 a 1000 novos produtos (DIKSHITH,1988; KRISTENSEN, 1994).

Diante deste quadro, tem ocorrido um aumento significativo do número de parâmetros necessários para a avaliação da qualidade da água. Hoje, são aproximadamente 130 e acredita-se que em 2020, tal número atinja cerca de 200, o que não assegurará que se disporá de uma água tão segura como aquela disponível em 1925, caracterizada por uma quantidade irrisória de parâmetros (HESPANHOL, 1999).

Entre os parâmetros de qualidade de água que se tornaram clássicos e de uso generalizado em todo o mundo, podem ser citados os números mais prováveis de coliformes, a demanda bioquímica de oxigênio e, de uso mais recente e em fase de generalização, os bioensaios para a determinação de toxicidade potencial, cujo uso, entretanto ainda não foi oficializado no Brasil (BRANCO, 1999)

Os testes de toxicidade devem ser considerados como uma análise indispensável no controle da poluição hídrica, pois fundamentam-se na utilização dos organismos vivos que são diretamente afetados pelos desequilíbrios que eventualmente ocorrem nos ecossistemas aquáticos onde vivem, uma vez que as análises químicas apenas identificam e quantificam as substâncias presentes na água ou sedimento, mas não detectam os efeitos sobre a bióta (HOFFMAN, 1995; ZAGATTO, 1999).

Além dos testes, os biomarcadores celulres são ferramentes importântes, pois muitas vezes a exposição prolongada dos organismos a agentes tóxicos não provocam diretamente a morte, mas afeta a estrutura e função de alguns órgãos vitais como brânquias, gônadas, rins, fígado, dentre outros, comprometendo a viabilidade do indivíduo. Por isso, as mudanças morfológicas devem ser avaliadas a nível microscópico de tecidos e células, podendo os resultados serem estrapolados para o ambiente em questão(POLEKSIC & MITOROVIC-TUTUNDZIC, 1994; MUNOZ et al, 1994; SÁ, 1998 e AU et al, 1999).

Diante do exposto, torna-se claro o papel da ecotoxicologia, juntamente com os parâmetros limnológicos clássicos na avaliação e monitoramento dos sistemas naturais, de modo a auxiliar na redução dos impactos ou até mesmo recuperar áreas degradadas.



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