Notícia
Em outubro de 2024, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançou a chamada 46/2024, voltada para a consolidação e expansão do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT). Entre 17 de outubro e 9 de dezembro de 2024, 651 propostas foram enviadas ao Conselho. O resultado definitivo da chamada foi publicado em maio de 2025 e contemplou 143 propostas com recursos financeiros, mobilizando cerca de R$ 1,6 bilhão em investimentos para os INCTs aprovados. Dois projetos da UFSCar foram contemplados com recursos da chamada.
A proposta "Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Comportamento, Cognição e Ensino (INCT-ECCE): Ciências comportamentais aplicadas à função simbólica - implicações para a equidade e inclusão social", coordenada por Deisy das Graças de Souza, professora do Departamento de Psicologia (DPSi), é um dos projetos aprovados. O INCT-ECCE terá um financiamento de aproximadamente R$ 4,7 milhões, para seguir realizando pesquisas e produzindo conhecimento sobre função simbólica - a capacidade de compreender, construir e operar com símbolos - e avançar no desenvolvimento de tecnologia de ensino para promover aprendizagem simbólica, especialmente com populações que apresentam atraso ou deficiência nessa capacidade. Em seu canal no YouTube (link externo), o Instituto apresenta uma síntese do trabalho realizado por seus pesquisadores desde 2017.
O INCT-ECCE já foi contemplado em outras duas chamadas realizadas pelo CNPq, a chamada 15/2008 e a chamada 16/2014, e, além da UFSCar, mobiliza pesquisadoras e pesquisadores de nove instituições de ensino e pesquisa brasileiras e seis instituições internacionais: Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal do ABC (UFABC), Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Pará (UFPA), Centro de Estudos e Intervenção para o Desenvolvimento Humano (CEI), Instituto Par - Ciências do Comportamento, Escola de Medicina da Universidade de Massachusetts, (Umass Medical School), Universidade de Aveiro (UA), Universidade Nacional de Córdoba (UNC),Universidade de North Carolina Wilmington (UNCW), Universidade do Minho (Uminho) e Universidade de Graz (Uni Graz).
Com a aprovação na chamada 46/2024, que entra em vigor em 2025 e se estende até 2030, o INCT-ECCE contará com uma equipe ampliada, incluindo novos pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e de universidades dos Estados Unidos, do Canadá, de Portugal e da Noruega.
Para Souza, o novo financiamento significa "a manutenção de um sólido programa de pesquisas, de formação de recursos humanos, de disseminação e transferência de conhecimento para a sociedade no campo das Ciências Humanas, Sociais Aplicadas e Educação" e "o fortalecimento de uma rede de pesquisadores que vem sendo mantida e ampliada desde os anos 90, para um trabalho cooperativo, focado em metas bem definidas, um modelo de trabalho especialmente importante para o empreendimento científico, como bem reconhecido na concepção do Programa INCT". A pesquisadora aponta que "entre 2017 e 2025, o Instituto formou aproximadamente 300 mestres e 150 doutores, muitos dos quais já estão inseridos profissionalmente e contribuindo para o desenvolvimento científico e tecnológico nesse campo".
A outra proposta contemplada com recursos financeiros pela chamada 46/2024 é coordenada pela professora Maria Fátima das Graças Fernandes da Silva, do Departamento de Química (DQ). O valor destinado ao projeto "Controle Biorracional de Insetos Pragas, Fitopatógenos e Plantas Invasoras - Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (CBIP-INCT)" ainda não foi publicizado, mas será importante para o financiamento do Instituto que atua na UFSCar desde 2008 e desenvolve pesquisas sobre controle de insetos pragas e fitopatógenos, de forma a produzir baixo impacto ambiental.
Com o novo financiamento, o CBIP-INCT avançará no fortalecimento de suas capacidades analíticas, utilizando tecnologias mais avançadas, como a Inteligência Artificial e análises ômicas - que permitem a análise de variações genéticas, genes, proteínas e metabólitos. O Instituto também intensificará suas atividades em regiões prioritárias, como a Amazônia, focando no desenvolvimento de conhecimento aplicado, de inovação em insumos sustentáveis e de formação de pesquisadores que contribuam com o desenvolvimento socioeconômico e ambiental do Brasil.
Além da UFSCar, o CBIP-INCT mobiliza pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) e da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão (FFCLRP-USP), dos campi da Unesp em Rio Claro e Botucatu, da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), da Universidade Estadual de Londrina (UEL), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), da Universidade Federal de Sergipe (UFS), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade Federal do Paraná (UFPR), da Embrapa Mandioca e Fruticultura e do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). Todos os pesquisadores associados estão listados no site do Instituto (link externo).
A coordenadora do INCT avalia que "a aprovação do CBIP-INCT reflete o reconhecimento da excelência científica e da relevância estratégica do Instituto. A proposta aprovada reforça o papel de liderança do grupo na articulação de redes nacionais e internacionais voltadas ao desenvolvimento de tecnologias sustentáveis para o controle de pragas agrícolas, fitopatógenos e plantas invasoras". Ela destaca também que "a expansão das atividades para estados da Amazônia Legal promoverá a inclusão regional e a valorização da biodiversidade amazônica. Trata-se de uma iniciativa que está alinhada com prioridades nacionais em segurança alimentar, inovação tecnológica e formação de recursos humanos altamente qualificados".
A UFSCar teve, ainda, cinco projetos com mérito reconhecido no resultado final da chamada 46/2024, mas não contemplados com recursos orçamentários: o "Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Hymenoptera Parasitoides/Inova - INCT-Hymparinova", coordenado pela professora Angélica Maria Penteado Martins Dias, do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva (DEBE); o INCT "Ageing: Estratégias Tecnológicas de Avaliação, Intervenção e Cuidado para o Envelhecimento", coordenado pelo professor Tiago da Silva Alexandre, do Departamento de Gerontologia (DGero); o "Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Inovação de Sensores Eletroquímicos - INCT Inovasense", coordenado por Bruno Campos Janegitz, docente do Departamento de Ciências da Natureza, Matemática e Educação (DCNME-Ar); a proposta "AI4P - IA para Pessoas: Transformando a Agricultura, Indústria e Cidades através da Inteligência Artificial e Comunicações Avançadas", coordenada pelo docente Fábio Luciano Verdi, do Departamento de Computação de Sorocaba (DComp-So); e o "INCT para Descarbonização e Economia Circular", coordenado pela professora Lucia Helena Mascaro, do DQ.
Para o Pró-Reitor Adjunto de Pesquisa da UFSCar, Moacir Rossi Forim, é importante ressaltar o reconhecimento do mérito dos projetos. "Todas as propostas passaram por um processo de avaliação criterioso, por mais de uma assessoria, inclusive internacional, e, para ter o seu mérito reconhecido, o projeto foi, necessariamente, bem avaliado. Pela limitação orçamentária essas propostas não serão contempladas com recursos financeiros, mas são projetos com grande potencial para captação de recursos em outros editais", ressalta o gestor.
O que são INCTS?
Os Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) são estruturas de pesquisa financiadas pelo CNPq, que mobilizam e agregam diferentes grupos de pesquisa e têm como objetivo promover a pesquisa científica e tecnológica de alto impacto. Através da criação de redes nacionais e internacionais, os INCTs se dedicam também à formação de recursos humanos qualificados, à promoção e disseminação da ciência em todos os níveis de ensino, ao estímulo à transferência de conhecimentos, tecnologias e inovações e à interação com o sistema produtivo. Até a publicação do resultado final da chamada 46/2024, o Brasil contava com 202 INCTs ativos, sendo 102 estabelecidos em 2014 e 100 estabelecidos em 2022.
As chamadas públicas que selecionam os INCTs são altamente competitivas e selecionam propostas dentro de temas de pesquisa considerados estratégicos para o desenvolvimento e para a soberania nacional. Os editais publicados pelo CNPq detalham os objetivos específicos, temas prioritários e critérios de elegibilidade para as propostas e a avaliação é realizada por um comitê julgador, que conta inclusive com assessores internacionais.
Na chamada 46/2024, 20 temas foram considerados prioritários: a) Inteligência Artificial; b) Transformação Digital; c) Nanotecnologia e Tecnologias Quânticas; d) Minerais Estratégicos; e) Terapias Avançadas, Medicamentos, Vacinas e Dispositivos para o Complexo Econômico-Industrial da Saúde; f) Doenças Negligenciadas e Doenças Crônicas de Alta Relevância para a Saúde no Brasil; g) Biotecnologia e Uso Sustentável da Biodiversidade; h) Transição para uma Matriz Energética Sustentável; i) Mudanças Climáticas; j) Desenvolvimento Sustentável dos Biomas Nacionais; k) Pesquisas Oceânicas; l) Instrumentação Científica; m) Autonomia Tecnológica na Área Espacial; n) Autonomia Tecnológica na Área Nuclear; o) Autonomia Tecnológica na Defesa Nacional; p) Segurança Alimentar e Erradicação da Fome; q) Promoção da Igualdade e da Inclusão Social; r) Desafios para a Consolidação e Ampliação da Democracia; s) Transformações da Ordem Mundial; e t) Genômica, Medicina de Precisão e Doenças de Alta Prevalência no Século XXI.
INCTs na UFSCar
Além dos INCTs coordenados pelas professoras Deisy das Graças de Souza e Maria Fátima das Graças Fernandes da Silva, outros projetos vinculados à UFSCar se destacam. O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Hymenoptera Parasitoides (INCT-Hympar), coordenado por Angélica Maria Penteado Martins Dias, professora do DEBE, atuou na investigação da biodiversidade brasileira, visando construir conhecimentos para auxiliar na conservação, na promoção da sustentabilidade e na melhoria da qualidade de vida das pessoas. O INCT-Hympar teve seu projeto contemplado em duas chamadas do CNPq voltadas para a expansão e consolidação de INCTs, uma em 2014 e outra em 2022 e finalizou suas atividades em 2025. O projeto foi aprovado por mérito na chamada 46/2024, mas não teve o financiamento renovado. Agora, o Instituto que mobiliza pesquisadores de 18 universidades brasileiras, um Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, três unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), um instituto e uma agência de pesquisa, uma prefeitura municipal e duas empresas privadas, está em processo de reorganização. Mais informações sobre o INCT-Hympar estão disponíveis no site do projeto (link externo).
A UFSCar também é a universidade sede do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Materiais Ferróicos para Conversores de Energia (INCT-MatFerrce), que foi contemplado na chamada pública 58/2022 do CNPq. O projeto reúne pesquisadores das áreas de Física, Química e Engenharias e atua no desenvolvimento de inovações tecnológicas de materiais e dispositivos conversores de energia. O INCT é coordenado pelo professor José Antonio Eiras, do Departamento de Física (DF), e reúne pesquisadores de 10 universidades brasileiras, um centro nacional de pesquisa e um Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia. Os grupos e instituições associadas ao projeto estão disponíveis no site do INCT (link externo).
O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Biodiversidade e Uso Sustentável de Peixes Neotropicais (INCT-Peixes), coordenado por Marcelo de Bello Cioffi, do Departamento de Genética e Evolução (DGE), também é sediado na UFSCar. Além da instituição sede, o INCT-Peixes mobiliza 28 universidades brasileiras, 24 universidades estrangeiras, quatro Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, oito institutos e empresas nacionais e internacionais de pesquisa, três departamentos estatais voltados para a agricultura e investigação científica e dois museus. A lista completa de instituições envolvidas está disponível no site do projeto (link externo).
Para Ana Beatriz de Oliveira, Reitora da UFSCar, a presença desses INCTs na Instituição e o grande número de propostas com mérito aprovado no último edital reforçam "a maturidade científica da UFSCar, alcançada a partir do trabalho articulado e em rede de pesquisadoras e pesquisadores que hoje se constituem como lideranças nacionais e internacionais em suas áreas de pesquisa, evidenciando o importante papel dessas pessoas na construção de conhecimento, inovação e tecnologia social voltada para responder, principalmente, os desafios enfrentados pela sociedade brasileira. São ações que estruturam e fortalecem nossa Universidade, tornando-a reconhecida no Brasil e no exterior".