Notícia
Denise Britto
- Publicado em
09-04-2026
13:00
Professores de Moçambique ministram aula sobre educação e colonialismo
No último dia 30 de março, o Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da UFSCar recebeu os professores Abrão Camacho, da Academia Militar Samora Machel, e Teodósio de Jesus Cosme, da Universidade Licungo, ambos de Moçambique, para ministrarem uma aula sobre educação e colonialismo em Moçambique.
Na aula, os professores abordaram a colonização portuguesa, a independência de Moçambique (1975) seguida de guerra civil, as realizações e os desafios que o país enfrenta para garantir escola para toda a sua população.
A iniciativa atendeu ao convite de Marisa Bittar, professora do Departamento de Educação (DEd) e do PPGE. Os professores participaram da disciplina "Educação Brasileira", de forma remota, uma vez que estavam em Campo Grande (MS), cidade onde realizam doutorado no Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), sob orientação da professora Marilena Bittar, irmã de Marisa. Foi lá, durante uma palestra deles, que a professora da UFSCar os conheceu e os convidou para a aula.
A aula será lançada no Portal de Cursos Abertos (PoCA) da UFSCar para acesso livre e gratuito.
Educação em Moçambique e no Brasil
Durante o evento, os dois professores destacaram "as características da colonização portuguesa como a doutrinação religiosa, a educação para ?os assimilados? e a situação dos indígenas - grupo que em Moçambique referia-se a todos que não tiveram acesso à escola e que, portanto, não liam nem escreviam", relatou Marisa Bittar. Eles ainda "apresentaram os desafios para alfabetizar toda a população e garantir ensino público a todas as crianças e jovens". Na minha povoação, afirmou Machel, há uma sala de aula debaixo de uma árvore, os seus galhos são a própria sala". Camacho, por sua vez, acrescentou que quando criança, seu irmão ajudou a cortar madeira para construir a escola onde estudava.
Na condição de alunos de doutorado da UFMS, Camacho e Machel elogiaram o sistema educacional brasileiro, realçando a opção de Moçambique pelo intercâmbio acadêmico com o Brasil pelo fato de a educação aqui ser pública e gratuita. Em Moçambique, segundo eles, "o Ensino Superior é pago e, mesmo o secundário, não é totalmente gratuito". Por isso, "os brasileiros devem ter orgulho das suas políticas educacionais, pois, em países mais desenvolvidos que o Brasil, o ensino é caro" ao passo que "aqui é público e gratuito até a pós-graduação, com possibilidade de bolsa". Ainda de acordo com os dois professores, colegas seus que estão no Brasil elogiam o fato de seus filhos terem direito à escola pública, material escolar, uniforme e merenda.
Encerrando a aula, a professora da UFSCar salientou, ainda, a facilidade na comunicação com os moçambicanos por terem em comum com o Brasil o mesmo idioma. "Minha pátria é a Língua Portuguesa" - com esse verso de Fernando Pessoa, ela celebrou a amizade entre os dois povos colonizados por Portugal.
Valorização da África e internacionalização
Durante a aula, Bittar enfatizou a importância das relações com a África, realçando a política do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para valorizar projetos de pesquisa com países da América Latina, Caribe e África.
"Uma das linhas de investimento do CNPq na área de pesquisa internacional tem sido o intercâmbio do Brasil com países da África, América Latina e Caribe. No caso da África, a nossa relação com Angola e Moçambique se vale de dois fatores em comum: fomos colonizados pelo mesmo país (Portugal) e falamos a mesma língua. Uma iniciativa como esta demonstra que a UFSCar está sintonizada com a prioridade do CNPq".
Na aula, os professores abordaram a colonização portuguesa, a independência de Moçambique (1975) seguida de guerra civil, as realizações e os desafios que o país enfrenta para garantir escola para toda a sua população.
A iniciativa atendeu ao convite de Marisa Bittar, professora do Departamento de Educação (DEd) e do PPGE. Os professores participaram da disciplina "Educação Brasileira", de forma remota, uma vez que estavam em Campo Grande (MS), cidade onde realizam doutorado no Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), sob orientação da professora Marilena Bittar, irmã de Marisa. Foi lá, durante uma palestra deles, que a professora da UFSCar os conheceu e os convidou para a aula.
A aula será lançada no Portal de Cursos Abertos (PoCA) da UFSCar para acesso livre e gratuito.
Educação em Moçambique e no Brasil
Durante o evento, os dois professores destacaram "as características da colonização portuguesa como a doutrinação religiosa, a educação para ?os assimilados? e a situação dos indígenas - grupo que em Moçambique referia-se a todos que não tiveram acesso à escola e que, portanto, não liam nem escreviam", relatou Marisa Bittar. Eles ainda "apresentaram os desafios para alfabetizar toda a população e garantir ensino público a todas as crianças e jovens". Na minha povoação, afirmou Machel, há uma sala de aula debaixo de uma árvore, os seus galhos são a própria sala". Camacho, por sua vez, acrescentou que quando criança, seu irmão ajudou a cortar madeira para construir a escola onde estudava.
Na condição de alunos de doutorado da UFMS, Camacho e Machel elogiaram o sistema educacional brasileiro, realçando a opção de Moçambique pelo intercâmbio acadêmico com o Brasil pelo fato de a educação aqui ser pública e gratuita. Em Moçambique, segundo eles, "o Ensino Superior é pago e, mesmo o secundário, não é totalmente gratuito". Por isso, "os brasileiros devem ter orgulho das suas políticas educacionais, pois, em países mais desenvolvidos que o Brasil, o ensino é caro" ao passo que "aqui é público e gratuito até a pós-graduação, com possibilidade de bolsa". Ainda de acordo com os dois professores, colegas seus que estão no Brasil elogiam o fato de seus filhos terem direito à escola pública, material escolar, uniforme e merenda.
Encerrando a aula, a professora da UFSCar salientou, ainda, a facilidade na comunicação com os moçambicanos por terem em comum com o Brasil o mesmo idioma. "Minha pátria é a Língua Portuguesa" - com esse verso de Fernando Pessoa, ela celebrou a amizade entre os dois povos colonizados por Portugal.
Valorização da África e internacionalização
Durante a aula, Bittar enfatizou a importância das relações com a África, realçando a política do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para valorizar projetos de pesquisa com países da América Latina, Caribe e África.
"Uma das linhas de investimento do CNPq na área de pesquisa internacional tem sido o intercâmbio do Brasil com países da África, América Latina e Caribe. No caso da África, a nossa relação com Angola e Moçambique se vale de dois fatores em comum: fomos colonizados pelo mesmo país (Portugal) e falamos a mesma língua. Uma iniciativa como esta demonstra que a UFSCar está sintonizada com a prioridade do CNPq".