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Mariana Pezzo - Publicado em 05-02-2026 18:40
UFSCar terá Centro de Pesquisa em Envelhecimento Humano
Edifício abrigará 12 laboratórios (Ilustração de Henrique Matheus, com imagem da Segef-UFSCar)
Edifício abrigará 12 laboratórios (Ilustração de Henrique Matheus, com imagem da Segef-UFSCar)
Com o rápido envelhecimento da população brasileira, é acentuado o crescimento das demandas por serviços e, especialmente, políticas públicas voltadas às pessoas idosas. Em pouco mais de 10 anos, entre 2010 e 2022, o número de pessoas com mais de 60 anos cresceu mais de 50% no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e já somos o sexto país do mundo em número de pessoas idosas, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Na UFSCar, no entanto, a atenção à temática não é de hoje, e agora entra em etapa importante de consolidação com a criação do Centro de Pesquisa em Envelhecimento Humano (CePEH).

Ainda na década de 1980, a UFSCar foi pioneira no oferecimento da primeira disciplina obrigatória relativa à saúde das pessoas idosas, quando ainda não se falava em envelhecimento populacional no Brasil. Em 2009, começaram na Instituição as atividades do primeiro curso de graduação em Gerontologia em uma universidade federal e, em 2012, foi implementado o primeiro departamento acadêmico de Gerontologia do Brasil, seguido, em 2016, pelo Programa de Pós-Graduação em Gerontologia. Agora, essa trajetória de 40 anos ganha o CePEH, com a aprovação de recursos para construção do Centro em edital recente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

A obra, com valor estimado em R$ 4 milhões, deve ser iniciada nos próximos meses. O CePEH favorecerá a integração entre diferentes áreas e pesquisadores e, assim, potencializará resultados e impactos de estudos que vão desde o conhecimento biológico básico, passando por questões clínicas como fragilidade, dor, sarcopenia e outras, até a estimulação cognitiva, o acolhimento das pessoas cuidadoras e a formação de profissionais para atuação junto à população idosa, na área da Saúde e outras, além do enfrentamento ao etarismo e questões tecnológicas na fronteira, incluindo o uso de inteligência artificial (IA).

O novo Centro, com edifício de cerca de 637 m2, integrará 10 laboratórios já ativos na UFSCar, mas que passam a contar com infraestrutura mais adequada às suas atividades. São grupos dedicados a pesquisas sobre biologia do envelhecimento; epidemiologia; saúde mental e cognição; fisiologia do exercício e funcionalidade física em pessoas idosas; políticas públicas e gestão do cuidado; imunosenescência e resposta vacinal, dentre outros temas relacionados.

Além disso, dois novos laboratórios serão implementados a partir da criação do CePEH. O Laboratório de Tecnologia e Inovação em Gerontologia será voltado a pesquisas usando IA e, também, ao desenvolvimento de tecnologias amigáveis à população idosa, para monitoramento remoto e e-Saúde. O Laboratório de Gerontologia Social e Políticas Públicas terá foco nos direitos da pessoa idosa, questões envolvendo violência, preconceito, legislação, políticas públicas, relações de trabalho e, também, questões relacionadas à diversidade sexual e de gênero.

"É uma conquista muito importante e, para mim, uma felicidade estar à frente da UFSCar neste momento, que coroa toda uma trajetória que pude acompanhar, como profissional de Saúde formada por esta instituição. É um avanço relevante para a comunidade brasileira de pesquisa na área do envelhecimento. Mas, muito especialmente, é um marco nos impactos que o conhecimento produzido na nossa universidade pode ter nas políticas públicas de Saúde, Assistência e Educação e, também, na vida cotidiana das pessoas idosas", celebra a Reitora da Universidade, Ana Beatriz de Oliveira.

"Estamos construindo um centro de excelência, que ampliará o potencial de contribuição não apenas da área específica da Gerontologia. O projeto é interdisciplinar, reunindo pesquisadoras e pesquisadores de outros cinco departamentos e seis programas de pós-graduação da UFSCar, e isso falando apenas das lideranças", complementa Tiago da Silva Alexandre, atual Chefe do Departamento de Gerontologia (DGero), que coordena a proposta submetida à Finep. Ao todo, estima-se em 30 os pesquisadores diretamente envolvidos com o Centro na Universidade, além de outros 80 de outras instituições parceiras. "A estrutura de equipamentos multiusuários favorecerá essa colaboração com outras instituições e regiões do País, e as abordagens colaborativas permitirão o desenvolvimento de estratégias mais eficazes para a promoção da saúde, prevenção de doenças e melhoria da qualidade de vida das pessoas idosas", complementa Márcia Regina Cominetti, Vice-Chefe do DGero, que também esteve intensamente envolvida na elaboração da proposta.

Um outro destaque é o aprimoramento das condições para atendimento às pessoas idosas, em atividades de extensão e, também, como voluntárias em pesquisas. No térreo, o novo edifício contará com dois consultórios para essa finalidade, em ambiente seguro, acessível e projetado especificamente para essa finalidade. Outra expectativa é que o CePEH favoreça a integração a outros equipamentos de Saúde voltados à formação de pessoas, como a Unidade Saúde Escola (USE) e o Hospital Universitário (HU).

"O novo edifício vem sanar problemas antigos de infraestrutura. Em reunião com a Reitora e a Diretora do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Isabela Aparecida Oliveira Lussi, nos últimos dias de 2024, nós tratamos dessa pauta. Como o edital da Finep tinha acabado de ser aberto, pudemos imediatamente encaminhar a questão, com esse apoio da Reitoria, da Direção de Centro, e também da Pró-Reitoria de Pesquisa, da Secretaria Geral de Gestão do Espaço Físico e da Fundação de Apoio Institucional [FAI]", finaliza o Chefe do DGero.