Notícia
Thalef Sousa Santos
- Publicado em
11-03-2026
10:00
UFSCar estuda biodiversidade em cavernas de difícil acesso
Projeto coordenado por Maria Elina Bichuette, docente no Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva (DEBE) da UFSCar, foi aprovado na chamada mais recente do programa Biota, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O projeto, intitulado "Da escuridão ao conhecimento: descobrindo e protegendo a biodiversidade das cavidades hipogênicas no Brasil" (2025/01769-3), investigará um tipo de caverna que, apesar de sua relevância ecológica, ainda é pouco conhecido.
Cavernas podem ser formadas pela infiltração direta de água da chuva no solo, causando desgaste da rocha ao longo do tempo - quando são chamadas de epigênicas -, ou, no caso das cavidades hipogênicas, por processos químicos associados a águas profundas que sobem do interior da Terra. A pesquisadora da UFSCar conta que, das cerca de 23 mil cavidades cadastradas no Brasil, apenas uma porcentagem em torno de 10% já teve estudo detalhado de sua biodiversidade, situação que se agrava no caso das cavernas hipogênicas, que ocorrem em maiores profundidades e, assim, têm acesso mais difícil.
Bichuette explica que esses ambientes podem abrigar organismos adaptados a condições extremas - como escuridão permanente - e especializados para a vida em cavernas, como os seres chamados de troglóbios, exclusivos dos ambientes subterrâneos. "Muitas espécies que vivem nessas cavernas são endêmicas, ou seja, existem em apenas uma região geográfica específica. Com essas características, são extremamente sensíveis a impactos ambientais, enfrentando sérias ameaças devido a agricultura, mineração e outras atividades humanas", afirma.
O projeto pretende mapear e comparar cavernas situadas nos biomas Caatinga e Cerrado, com trabalho de campo nos estados da Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, em cavernas hipogênicas e epigênicas comparáveis. A expectativa é identificar padrões de diversidade, entender como os animais evoluíram e, possivelmente, descrever novas espécies. "Promover a descoberta, documentação e difusão da biodiversidade brasileira, gerando dados fundamentais para conservação e tomada de decisão", lista a coordenadora, ao falar dos objetivos do projeto. Como resultado, também deve ser ampliado o acervo da coleção zoológica subterrânea do Laboratório de Estudos Subterrâneos da UFSCar, coordenado por Bichuette.
A pesquisa também deve gerar dados importantes para subsidiar políticas públicas, como decisões de licenciamento ambiental e ações de conservação em ambientes ainda pouco considerados nas estratégias de proteção da biodiversidade.
O projeto coordenado por Maria Elina Bichuette foi aprovado na chamada Descoberta e Coleções do programa Biota, encaminhada em 2025. Aprovado na modalidade de Auxílio à Pesquisa Regular, contará com R$ 600 mil, além dos valores em reserva técnica, para período de três anos, incluindo bolsas para atuação de estudantes de graduação e pós-graduação e, assim, formação de novos pesquisadores na área.
Cavernas podem ser formadas pela infiltração direta de água da chuva no solo, causando desgaste da rocha ao longo do tempo - quando são chamadas de epigênicas -, ou, no caso das cavidades hipogênicas, por processos químicos associados a águas profundas que sobem do interior da Terra. A pesquisadora da UFSCar conta que, das cerca de 23 mil cavidades cadastradas no Brasil, apenas uma porcentagem em torno de 10% já teve estudo detalhado de sua biodiversidade, situação que se agrava no caso das cavernas hipogênicas, que ocorrem em maiores profundidades e, assim, têm acesso mais difícil.
Bichuette explica que esses ambientes podem abrigar organismos adaptados a condições extremas - como escuridão permanente - e especializados para a vida em cavernas, como os seres chamados de troglóbios, exclusivos dos ambientes subterrâneos. "Muitas espécies que vivem nessas cavernas são endêmicas, ou seja, existem em apenas uma região geográfica específica. Com essas características, são extremamente sensíveis a impactos ambientais, enfrentando sérias ameaças devido a agricultura, mineração e outras atividades humanas", afirma.
O projeto pretende mapear e comparar cavernas situadas nos biomas Caatinga e Cerrado, com trabalho de campo nos estados da Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, em cavernas hipogênicas e epigênicas comparáveis. A expectativa é identificar padrões de diversidade, entender como os animais evoluíram e, possivelmente, descrever novas espécies. "Promover a descoberta, documentação e difusão da biodiversidade brasileira, gerando dados fundamentais para conservação e tomada de decisão", lista a coordenadora, ao falar dos objetivos do projeto. Como resultado, também deve ser ampliado o acervo da coleção zoológica subterrânea do Laboratório de Estudos Subterrâneos da UFSCar, coordenado por Bichuette.
A pesquisa também deve gerar dados importantes para subsidiar políticas públicas, como decisões de licenciamento ambiental e ações de conservação em ambientes ainda pouco considerados nas estratégias de proteção da biodiversidade.
O projeto coordenado por Maria Elina Bichuette foi aprovado na chamada Descoberta e Coleções do programa Biota, encaminhada em 2025. Aprovado na modalidade de Auxílio à Pesquisa Regular, contará com R$ 600 mil, além dos valores em reserva técnica, para período de três anos, incluindo bolsas para atuação de estudantes de graduação e pós-graduação e, assim, formação de novos pesquisadores na área.