Notícia

Analice Gaspar Garcia - Publicado em 15-04-2026 10:00
Pesquisa integra citogenética e genômica em estudo da evolução
 Pesquisa busca identificar rearranjos cromossômicos em animais vertebrados (Arte: Henrique Matheus)
Pesquisa busca identificar rearranjos cromossômicos em animais vertebrados (Arte: Henrique Matheus)
A integração entre genômica e citogenética é a estratégia adotada por pesquisa recém-iniciada na UFSCar em busca de maior compreensão da evolução e da diversidade dos animais vertebrados. Enquanto a citogenética estuda como o DNA está organizado em cromossomos, a genômica estuda o conteúdo completo desse DNA.

Alterações na estrutura dos cromossomos podem, por exemplo, influenciar a formação de novas espécies, e eventos evolutivos passados deixam marcas no genoma, o que faz com que o estudo proposto possa revelar dinâmicas que moldaram a diversidade hoje existente. O projeto, intitulado "Conectando genomas aos cromossomos: preenchendo a lacuna entre dados genômicos e citogenéticos", acaba de iniciar suas atividades, após aprovação na modalidade de Projeto Temático pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp, processo 24/12644-4).

A pesquisa, liderada por Marcelo de Bello Ciofi, docente no Departamento de Genética e Evolução (DGE) da UFSCar, busca identificar rearranjos cromossômicos em animais vertebrados, isto é, justamente as mudanças na estrutura dos cromossomos que podem ter desempenhado papel importante nos processos de evolução, adaptação e diversificação das espécies ao longo do tempo. Para tanto, estão previstas, para os próximos cinco anos, etapas de coleta de amostras em expedições de campo em diferentes biomas brasileiros, de representantes de diferentes grupos de vertebrados, incluindo peixes, anfíbios, aves, répteis e mamíferos, para posterior análise desse material com tecnologias avançadas de citogenética e genômica.

Marcelo Ciofi explica que, além de gerar dados genômicos inéditos sobre espécies da biodiversidade brasileira, o projeto deverá contribuir para avanços em áreas como citogenômica evolutiva, conservação da biodiversidade e biologia comparativa. "Esperamos que os estudos com diferentes grupos de vertebrados contribuam para ampliar o entendimento sobre a organização, evolução e dinâmica dos genomas ao longo da diversificação dessas linhagens. Ao comparar padrões citogenômicos entre espécies distintas, o projeto pode revelar tanto características conservadas quanto rearranjos específicos, ajudando a identificar mecanismos evolutivos que moldam os genomas", explica o pesquisador.

No contexto da citogenômica evolutiva, os resultados devem permitir a identificação de tendências na evolução cromossômica, como fusões, fissões, duplicações e variações no conteúdo de DNA repetitivo, contribuindo para a compreensão de como essas mudanças estão associadas a especiação e adaptação. Em relação à conservação da biodiversidade, os dados gerados podem auxiliar na detecção de variabilidade genética, fornecendo informações importantes para estratégias de manejo e preservação, especialmente em grupos pouco estudados ou ameaçados.

Já na biologia comparativa, a análise integrada entre diferentes vertebrados possibilita estabelecer paralelos entre grupos, destacando padrões compartilhados e singularidades genômicas, o que contribui para uma visão mais ampla da evolução dos vertebrados como um todo.

A iniciativa também fortalece a colaboração científica ao reunir uma rede de pesquisadores de diversas regiões do Brasil e de instituições em outros países. No Brasil, participam a Universidade Estadual Paulista (Unesp), campi Jaboticabal e Bauru; Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Universidade Federal do Pará (UFPA). Dentre as instituições estrangeiras, participam a Universidade do Sudoeste da China, Universidade de Jena (Alemanha) e Universidade de Canberra (Austrália).

Saiba mais sobre o projeto na Biblioteca Virtual da Fapesp, neste link.