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Gisele Bicaletto - Publicado em 30-04-2026 15:00
Pesquisadora da UFSCar é premiada em congresso internacional
Natália Casonato durante premiação no evento internacional (Foto: Acervo pessoal)
Natália Casonato durante premiação no evento internacional (Foto: Acervo pessoal)
A doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia (PPGFT) da UFSCar, Natália Casonato, ficou entre os 23 jovens pesquisadores premiados no Congresso Mundial sobre Osteoporose, Osteoartrite e Doenças Musculoesqueléticas ((WCO-IOF-ESCEO 2026), realizado em Praga, na República Tcheca, em 18 de abril. Casonato foi a única brasileira e representante das Américas a receber o prêmio, concedido com base na qualidade científica dos trabalhos apresentados no evento.

Formada em Gerontologia, e com mestrado em Fisioterapia pela UFSCar, a pesquisadora apresentou dois trabalhos como primeira autora e participou de outros cincos projetos como coautora, todos desenvolvidos no Laboratório de Análise da Função Articular (LAFAr) da UFSCar, coordenado pela professora Stela Marcia Mattiello, docente do Departamento de Fisioterapia da Universidade. A premiação foi concedida pela apresentação de dois projetos de pesquisa que integram o doutorado de Casonato, com foco em osteoartrite de joelho e composição corporal avaliada pelo DXA, equipamento considerado padrão-ouro para esse tipo de análise, sendo que a UFSCar é uma das poucas instituições que têm esse instrumento no país.

O primeiro trabalho teve como objetivo investigar, ao longo de oito meses, como diferentes componentes da composição corporal (massa corporal, gordura e fatores clínicos) influenciam a densidade mineral óssea em indivíduos com osteoartrite de joelho. Já o segundo estudo avaliou a relação entre a adiposidade regional e a sensibilidade à dor, considerando tanto mecanismos periféricos quanto centrais. "As pesquisas foram conduzidas com avaliação clínica, análise de composição corporal e testes de sensibilidade à dor, permitindo uma abordagem integrada entre fatores metabólicos e mecanismos de dor", explica a pesquisadora. Ela complementa que os principais achados indicam que "a composição corporal exerce efeitos distintos e relevantes tanto na saúde óssea quanto na modulação da dor, reforçando o papel de fatores metabólicos e inflamatórios na osteoartrite, além do componente puramente mecânico". 

O estudo da osteoartrite, da dor e da composição corporal foram foco de Casonato já no mestrado, mas, atualmente, avançou para uma abordagem mais ampla e integrada. "Hoje, minha linha de investigação foca na relação entre composição corporal, fatores metabólicos, aspectos psicossociais e mecanismos de dor em indivíduos com osteoartrite obesos e não obesos. O objetivo é compreender melhor como esses fatores interagem e influenciam desfechos clínicos, contribuindo para estratégias de tratamento mais personalizadas e eficazes, especialmente na população adulta e idosa", relata.

O prêmio recebido no WCO-IOF-ESCEO 2026 foi concedido pela Fundação Internacional de Osteoporose (IOF) e pela Sociedade Europeia para Aspectos Clínicos e Econômicos de Osteoporose, Osteoartrite e Doenças Musculoesqueléticas (ESCEO), instituições de referência internacional, e reconhece contribuições relevantes para o avanço da pesquisa em doenças ósseas, articulares e musculares. "Esse reconhecimento valida a relevância científica do trabalho desenvolvido e amplia sua visibilidade no cenário internacional. Além disso, fortalece a pesquisa brasileira e evidencia a qualidade da produção científica realizada na UFSCar, especialmente dentro do LAFAr. Também é um incentivo importante para dar continuidade às investigações e ampliar o impacto dos estudos na prática clínica", celebra.

A pesquisadora da UFSCar destaca a importância do trabalho em equipe e a orientação de Mattiello e reforça o apoio por parte do financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). "Como gerontóloga, reforço ainda a importância de desenvolver estudos voltados ao envelhecimento, especialmente em condições como a osteoartrite, que impactam diretamente a qualidade de vida da população. Por fim, essa premiação representa não apenas um reconhecimento individual, mas também um estímulo para continuar produzindo ciência de qualidade, com potencial de gerar impacto real na saúde da população", conclui Natália Casonato.

Informações completas sobre o evento podem ser acessadas no site do Congresso.