Notícia
Mariana Pezzo
- Publicado em
05-10-2026
13:16
-
Atualizado em
05-10-2026
Livro e documentário abordam inteligências em sua pluralidade
O que é inteligência? E o que significa defender o reconhecimento das inteligências em sua pluralidade? Estas são questões que atravessam as 254 páginas do livro "Inteligências - Diálogos Avançados, Volume 2", que está sendo lançado em parceria entre o Instituto de Estudos Avançados e Estratégicos (IEAE) da UFSCar e o Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP), polo de São Carlos. Os capítulos foram escritos pelas pessoas que participaram das conferências e mesas-redondas da segunda edição dos Diálogos Avançados, em 2025, evento anual organizado pelos institutos a partir de temas emergentes e estratégicos.
O lançamento acontece no marco do início da terceira edição do evento, nesta terça-feira, 6 de outubro, com o tema "Dimensões contemporâneas do humano". Na ocasião, também será lançado minidocumentário alusivo à edição de 2025, produzido pelo Instituto da Cultura Científica (ICC) da UFSCar. Nele, o neurocientista Roberto Lent, Professor Emérito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pondera que é possível abordar a inteligência humana em diferentes níveis, complementares: molecular, celular, dos circuitos cerebrais, psicológico, sociológico, econômico. Para ele, é preciso buscar os pontos de intersecção desses níveis, e é isso que tanto o documentário quanto o livro recém-lançado fazem, reunindo vozes de diferentes áreas do conhecimento.
"Vivemos em um momento em que a aceleração tecnológica e a presença da inteligência artificial ameaçam capturar e monopolizar a definição de inteligência, reduzindo-a a métricas computacionais, capacidade de processamento de dados, modelos estatísticos de previsão ou otimização algorítmica", alertam na apresentação do livro os organizadores. "Diante dessa tendência reducionista, o livro apresenta uma proposta para uma travessia crítica que resgata e tensiona a multiplicidade de sentidos da inteligência", situam, destacando como refletir sobre a inteligência no século XXI exige ultrapassar as barreiras das disciplinas isoladas.
O livro começa com a contribuição de Roberto Lent, que a dedica à apresentação da hipótese da "reserva conectômica", associada à proposição de "conexões secretas" que poderiam explicar a resiliência do cérebro diante de lesões e do envelhecimento. O autor sugere que a própria inteligência biológica é uma construção aberta, mostrando que, no nível neurológico, ela emerge de mais de 800 trilhões de conexões.
Nos dois capítulos seguintes, Paulo Roberto Licht dos Santos, do Departamento de Filosofia da UFSCar, e Ricardo Rodrigues Teixeira, da Faculdade de Medicina da USP, falam de consciência. O filósofo propõe um programa de inquirição dialógica que articula diferentes tradições filosóficas e científicas para pensar a consciência como tarefa permanente, ação e reflexão no tempo que articula passado, presente e futuro, enquanto o médico investiga as bases cerebrais da consciência. Teixeira traz, no capítulo, elementos de uma reflexão que surgirá em outros momentos do livro, sobre separações e relações entre mente e corpo.
O tema aparece nas contribuições de Pedro Lopes, docente no Departamento de Antropologia da USP, e de Viviane Melo de Mendonça, do Departamento de Ciências Humanas e Educação do Campus Sorocaba da UFSCar. Lopes trata de inteligência como diferença, desconstruindo a ideia de inteligência como artefato mensurável para propor a deficiência intelectual não como déficit, mas, justamente, como diferença. Também no capítulo de autoria da educadora e psicóloga da UFSCar encontramos desconstrução, do conceito eurocêntrico e androcêntrico de inteligência, para defender a inteligência como potência coletiva e relacional e, assim, situar o reconhecimento de suas diversidade como "tarefa urgente".
A obra conta também com dois capítulos com olhares a partir da Ciência da Computação. Helena de Medeiros Caseli, do Departamento de Computação da UFSCar, compartilha introdução rigorosa e acessível à IA generativa e ao processamento de linguagem natural. A pesquisadora também alerta para a necessidade de avaliação crítica das promessas tecnológicas. Já Moacir Antonelli Ponti, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, faz uma abordagem histórica, também buscando contextualizar os modelos de linguagem atuais e seus limites. O pesquisador defende preservação da autonomia humana, transparência e governança como pilares de uma IA ética e socialmente responsável.
O videoartista e docente no Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da USP Almir Almas examina como a inteligência artificial transforma a criação audiovisual e as linguagens na contemporaneidade, discutindo o encontro entre criatividade humana e máquinas generativas. Sua contribuição mostra como inovação tecnológica não substitui autoria, mas reconfigura modos de fazer, circular e significar.
A contribuição de Jacob Carlos Lima, do Departamento de Sociologia da UFSCar, olha para implicações sociotécnicas, éticas e políticas da automação, se debruçando sobre a relação entre IA e trabalho, mapeando impactos e indicando como o controle por algoritmos intensifica a precarização.
O livro é organizado por Adilson Jesus Aparecido de Oliveira, Diretor do IEAE-UFSCar; Elisabete Moreira Assaf e David Moreno Sperling, Coordenadora e Vice-Coordenador do polo São Carlos do IEA-USP; e Elisabeth Márcia Martucci e Cláudia Maria Simões Martinez, Professoras Seniores no IEAE. Gratuito, pode ser baixado no site do IEAE.
O documentário pode ser conferido no canal UFSCar Oficial no Youtube.
A programação da edição 2026 dos Diálogos Avançados, com o tema "Dilemas contemporâneos do humano", que acontece de 6 a 8 de setembro nos campi da UFSCar e da USP em São Carlos, pode ser conferida no site do evento.
O lançamento acontece no marco do início da terceira edição do evento, nesta terça-feira, 6 de outubro, com o tema "Dimensões contemporâneas do humano". Na ocasião, também será lançado minidocumentário alusivo à edição de 2025, produzido pelo Instituto da Cultura Científica (ICC) da UFSCar. Nele, o neurocientista Roberto Lent, Professor Emérito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pondera que é possível abordar a inteligência humana em diferentes níveis, complementares: molecular, celular, dos circuitos cerebrais, psicológico, sociológico, econômico. Para ele, é preciso buscar os pontos de intersecção desses níveis, e é isso que tanto o documentário quanto o livro recém-lançado fazem, reunindo vozes de diferentes áreas do conhecimento.
"Vivemos em um momento em que a aceleração tecnológica e a presença da inteligência artificial ameaçam capturar e monopolizar a definição de inteligência, reduzindo-a a métricas computacionais, capacidade de processamento de dados, modelos estatísticos de previsão ou otimização algorítmica", alertam na apresentação do livro os organizadores. "Diante dessa tendência reducionista, o livro apresenta uma proposta para uma travessia crítica que resgata e tensiona a multiplicidade de sentidos da inteligência", situam, destacando como refletir sobre a inteligência no século XXI exige ultrapassar as barreiras das disciplinas isoladas.
O livro começa com a contribuição de Roberto Lent, que a dedica à apresentação da hipótese da "reserva conectômica", associada à proposição de "conexões secretas" que poderiam explicar a resiliência do cérebro diante de lesões e do envelhecimento. O autor sugere que a própria inteligência biológica é uma construção aberta, mostrando que, no nível neurológico, ela emerge de mais de 800 trilhões de conexões.
Nos dois capítulos seguintes, Paulo Roberto Licht dos Santos, do Departamento de Filosofia da UFSCar, e Ricardo Rodrigues Teixeira, da Faculdade de Medicina da USP, falam de consciência. O filósofo propõe um programa de inquirição dialógica que articula diferentes tradições filosóficas e científicas para pensar a consciência como tarefa permanente, ação e reflexão no tempo que articula passado, presente e futuro, enquanto o médico investiga as bases cerebrais da consciência. Teixeira traz, no capítulo, elementos de uma reflexão que surgirá em outros momentos do livro, sobre separações e relações entre mente e corpo.
O tema aparece nas contribuições de Pedro Lopes, docente no Departamento de Antropologia da USP, e de Viviane Melo de Mendonça, do Departamento de Ciências Humanas e Educação do Campus Sorocaba da UFSCar. Lopes trata de inteligência como diferença, desconstruindo a ideia de inteligência como artefato mensurável para propor a deficiência intelectual não como déficit, mas, justamente, como diferença. Também no capítulo de autoria da educadora e psicóloga da UFSCar encontramos desconstrução, do conceito eurocêntrico e androcêntrico de inteligência, para defender a inteligência como potência coletiva e relacional e, assim, situar o reconhecimento de suas diversidade como "tarefa urgente".
A obra conta também com dois capítulos com olhares a partir da Ciência da Computação. Helena de Medeiros Caseli, do Departamento de Computação da UFSCar, compartilha introdução rigorosa e acessível à IA generativa e ao processamento de linguagem natural. A pesquisadora também alerta para a necessidade de avaliação crítica das promessas tecnológicas. Já Moacir Antonelli Ponti, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, faz uma abordagem histórica, também buscando contextualizar os modelos de linguagem atuais e seus limites. O pesquisador defende preservação da autonomia humana, transparência e governança como pilares de uma IA ética e socialmente responsável.
O videoartista e docente no Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da USP Almir Almas examina como a inteligência artificial transforma a criação audiovisual e as linguagens na contemporaneidade, discutindo o encontro entre criatividade humana e máquinas generativas. Sua contribuição mostra como inovação tecnológica não substitui autoria, mas reconfigura modos de fazer, circular e significar.
A contribuição de Jacob Carlos Lima, do Departamento de Sociologia da UFSCar, olha para implicações sociotécnicas, éticas e políticas da automação, se debruçando sobre a relação entre IA e trabalho, mapeando impactos e indicando como o controle por algoritmos intensifica a precarização.
O livro é organizado por Adilson Jesus Aparecido de Oliveira, Diretor do IEAE-UFSCar; Elisabete Moreira Assaf e David Moreno Sperling, Coordenadora e Vice-Coordenador do polo São Carlos do IEA-USP; e Elisabeth Márcia Martucci e Cláudia Maria Simões Martinez, Professoras Seniores no IEAE. Gratuito, pode ser baixado no site do IEAE.
O documentário pode ser conferido no canal UFSCar Oficial no Youtube.
A programação da edição 2026 dos Diálogos Avançados, com o tema "Dilemas contemporâneos do humano", que acontece de 6 a 8 de setembro nos campi da UFSCar e da USP em São Carlos, pode ser conferida no site do evento.