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Enzo Kuratomi - Publicado em 27-10-2015 10:15
Docente de DEMa é premiado pela Sociedade Americana de Cerâmicos
O professor Victor Carlos Pandolfelli desenvolve pesquisas com materiais cerâmicos
O professor Victor Carlos Pandolfelli desenvolve pesquisas com materiais cerâmicos
Estudos desenvolvidos na UFSCar analisaram os processos de formação de materiais cerâmicos para utilização em indústrias siderúrgicas. Os resultados foram divulgados no Journal of the American Ceramic Society e descreveram as características e mecanismos relacionados à formação de estruturas de materiais cerâmicos usados a alta temperatura.

A pesquisa foi realizada pelo professor Victor Carlos Pandolfelli, do Departamento de Engenharia de Materiais (DEMa) da UFSCar, pelos engenheiros Eric Sako e Mariana Braulio, respectivamente, mestre e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia de Materiais (PPGCEM) da Universidade, e pelos pesquisadores Enno Zinngrebe e Sieger van der Laan, da Tata Steel da Holanda. Pandolfelli destaca a importância em aliar as estruturas acadêmicas e industriais na produção do conhecimento. “Para se alcançar tais resultados a parceria entre a universidade e a indústria foi fundamental, via testes e caracterizações laboratoriais e industriais”, afirma o docente.

Para a formação de materiais cerâmicos são utilizados diferentes compostos, como óxidos de magnésio, alumínio e cálcio. No entanto, variações dos meios reacionais, por exemplo, podem facilitar a produção de outros compostos secundários que interferem nas características do refratário. A pesquisa apresenta processos até então não elucidados relacionados à formação de estruturas cerâmicas refratárias. As conclusões dos trabalhos apontam para importantes contribuições para a indústria siderúrgica, como a descrição do mecanismo de formação e reação do espinélio de magnésio e alumínio, que pode aumentar a resistência à corrosão por escórias e ataque por metais fundidos dos materiais cerâmicos. “As conclusões não apenas destacam os efeitos benéficos da formação de espinélio, como também da formação de hexaluminato de cálcio e sua ação conjunta melhorando as propriedades do material. As verificações foram constatadas via análises microestrutural e de elementos, testes laboratoriais, simulação termodinâmica e ensaios industrias”, explica Pandolfelli.

Os resultados estão publicados no artigo “In depth microstructural evolution analyses of cement-bonded spinel refractory castables: novel insights regarding spinel and CA6 formation”, que foi divulgado no Journal of the American Ceramic Society, revista com maior índice de impacto na área de cerâmica e com 110 anos de história. O trabalho foi reconhecido pela American Ceramic Society e rendeu o Prêmio Alfred W. Allen 2015, direcionado a pesquisas envolvendo materiais cerâmicos para alta temperatura. “Creio ser uma honra para a UFSCar e para a pesquisa brasileira, que mesmo com condições de recursos e qualificação pessoal não à altura dos países desenvolvidos, consegue fazer trabalhos técnicos de alta qualidade”, analisa Pandolfelli. O docente já havia recebido o prêmio no ano de 2007 e é o único pesquisador de fora da América do Norte a ser agraciado com o reconhecimento em duas oportunidades. “Isso nos mostra que estamos no caminho certo e o que fazemos tem atendido à expectativa da comunidade internacional em conteúdo e qualidade”, afirma o professor.